P. Bruno Nobre, sj

Para Harari, a história evolui no sentido da despersonalização. Para Teilhard, pelo contrário, a história do universo e da humanidade evolui no sentido da crescente personalização.

Temos assistidos, nos últimos anos, a avanços científicos e tecnológicos que suscitam em nós a inevitável pergunta pelo futuro da humanidade. Não apenas a pergunta pelo futuro do mundo, mas pelo futuro da própria humanidade. Ao longo de milénios, os seres humanos aprenderam a manipular o mundo à sua volta, moldando paisagens, forçando a emergência de novas espécies e interferindo no próprio clima. O que está em causa na atualidade tem, contudo, um alcance muito mais vasto: trata-se da possibilidade de uma autêntica reconfiguração do humano. Ou seja, o ser humano como o conhecemos pode simplesmente deixar de existir. Utilizando a sugestiva expressão cunhada por Yuval Harari, o Homo sapiens dará lugar ao Homo deus. A expressão Homo deus não remete, como poderia intuir uma mente mais teológica, para o conceito de divinização próprio do Cristianismo: o ser humano deificado por iniciativa de Deus, na economia da salvação. A expressão refere-se, antes, à «nova versão» de ser humano que vai suceder ao ser humano como conhecemos. Uma versão melhorada, sem dúvida, mas por iniciativa do próprio ser humano e não de Deus.

CONTINUAR A LER

Partilhar:
Share