Octávio Carmo, Agência ECCLESIA

O quinto consistório público para a criação de cardeais no pontificado de Francisco vai ficar no coração dos portugueses pela presença, entre os eleitos do Papa, de D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima. Há muito mais neste encontro do que a entrega do barrete e do anel cardinalícios: cada um dos novos membros do Colégio Cardinalício sabe que foi escolhido por motivos muito precisos e para colaborar diretamente com o pontífice.

A história dos cardeais começa por estar ligado ao clero de Roma e hoje chega aos cinco continentes. O Papa Francisco deixa a sua marca, sobretudo, com a capacidade de reforçar o papel das “periferias” no Colégio Cardinalício. Paulatinamente, tem vindo a alargar as fronteiras das suas escolhas, com uma mudança mais visível no peso específico da África, Ásia e Oceânia, à medida que a Europa deixou de ter a “maioria absoluta” nos eleitores do Colégio Cardinalício.

Mais do que as estatísticas, a mudança representa um legado claro do atual pontífice, vindo do “fim do mundo”, como o próprio se apresentou. Os bispos e arcebispos de lugares distantes passaram a ter voz no “corpo de elite” dos conselheiros papais e são hoje considerados no centro nevrálgico do governo da Igreja Católica como iguais. Houve muitas escolhas imprevisíveis, com um teor claramente pessoal, deixando claro que para Francisco não há cardeais por “inerência” nem cardeais “invisíveis”, mas colaboradores com rosto e com um percurso que fala por si, mesmo que estejam à frente de dioceses que nunca tinham tido um cardeal na história.

É neste contexto que se compreende a escolha de D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima. A escolha de alguém que o Papa conhece e em quem confia, após vários contactos diretos no âmbito da celebração do Centenário das Aparições de Fátima e da visita ‘ad Limina’ de 2015 não pode ser, ainda assim, vista como uma total surpresa. Rosto conhecido por milhões de católicos dos cinco continentes, tem agora um novo “palco global” para dar a conhecer o seu pensamento e as convicções que inspiraram, por exemplo, o seu trabalho de renovação da proposta teológica e espiritual no Santuário de Fátima.

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