Nigéria: Diocese de Gboko suspende atividades de uma paróquia, escolas e hospital

Bispo William Amove Avenya decretou o encerramento «temporário» devido à insegurança

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 21 out 2026 (Ecclesia) – O bispo de Gboko, na Nigéria, suspendeu temporariamente as atividades de uma paróquia, três escolas, um hospital católico e um centro de saúde, devido à violência nesta região conhecida como ‘Middle Belt’, desde o dia 12 de outubro.

“Esses atos são identificados como parte de um padrão sistemático de hostilidade e destruição direccionado contra propriedades pertencentes à Igreja”, explicou o bispo William Amove Avenya, citado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), na informação enviada à Agência ECCLESIA.

O bispo da Diocese nigeriana de Gboko decretou o encerramento “temporário” das atividades de três escolas – infantil, primária e secundária -, de um hospital e um centro de saúde, e de uma paróquia, em Ihugh, região conhecida como o ‘Middle Belt’, assinalando que os incidentes provocam medo e incerteza em todos os que trabalham ou utilizam estas instituições.

A AIS, acrescenta o secretariado português da organização internacional, consultou o decreto episcopal do bispo de Gboko que informa que foram retirados todos os funcionários diocesanos que trabalhavam nestas estruturas de ensino e de saúde, incluindo sacerdotes, consagrados, catequistas, agentes pastorais, professores e equipa médica e administrativa.

A fundação pontifícia recorda que estes encerramentos – paróquia, escolas, hospital e centro de saúde – foram decididos devido aos repetidos ataques, o mais recentemente no dia 11 de outubro, antes em maio, e recorda um incêndio nos dormitórios estudantis da escola secundária St. Winifred, em 2025.

Segundo a Diocese de Gboko a Paróquia de Santa Winifred também já foi assaltada, e vários incidentes de carácter criminoso no Hospital São Tomás.

Já na Diocese de Otukpo, o padre John Inalegwu Otache, pároco da Paróquia de Santa Margarida, em Ajegbe-Awume, foi libertado este domingo, 18 de outubro, depois de ter sido raptado, no dia 13, quando regressava a casa, anunciou o chanceler da diocese, em comunicado.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre explica que a Diocese de Gboko tem sofrido muitos ataques ao longo da última década, que causaram a destruição de “mais de 20 comunidades e 32 igrejas”, em 2024, entre janeiro e novembro, e no período de Natal, cerca de uma centena de pessoas foram mortas, e existiu um “aumento maciço” do número de deslocados internos.

No Natal de 2024, no dia 25 de dezembro, um ataque causou “pelo menos 47 mortos, incluindo crianças”, em Anwase, no Estado de Benue, na altura, o diretor-executivo da Cáritas Diocesana de Gboko, o padre Isaiah Ter, relatou que “queimaram as oito igrejas católicas da Paróquia de Santa Maria, incluindo a casa paroquial, clínicas, escolas e outras casas”, graves incidentes que ainda estão na memória de todos, acrescenta o secretariado português da AIS.

CB/OC

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