Bispo das Forças Armas e de Segurança pede que se vá ao encontro de «lugares de desesperança», «pobreza», «inutilidade» e onde falta a «dignidade»

D. Rui Valério em São Tomé e Príncipe
Foto Ordinariato Castrense Diocese das Forças Armadas e de Segurança (facebook)

Lisboa, 21 dez 2021 (Ecclesia) – D. Rui Valério afirmou hoje que os militares e as forças de segurança atualizam o “mistério natalício”, chamados ao desempenho da sua missão em “não-lugares” para defender a paz, auxiliar as populações e responder a emergências.

“Os não-lugares encontram-se onde, militares e Forças de Segurança, desenvolvem a sua ação e afirmam a sua presença: nas frentes, a lutar pela paz nas Forças Nacionais Destacadas; nos desamparos das inclemências, a oferecer amparo e auxílio às populações; nas periferias sociais dos abandonados, onde mais ninguém se sente capaz de responder às emergências; nas Unidades, onde se promove a afirmação da soberania nacional; nas estradas, a velar pela salvaguarda da integridade da vida; enfim, nos navios, nas aeronaves, no mar, em terra, ou no ar…”, escreveu o Bispo das Forças Armadas e de Segurança na mensagem de natal, enviada à Agência ECCLESIA.

“Defendem a paz, onde há guerra; promovem segurança, resistindo à insegurança; incrementam a ordem, contrariando o caos; atuam a solidariedade, num mundo cada vez mais individualista; e, quando a indiferença se afigura cada vez mais pungente, continuam a servir a nação e os cidadãos. Na celebração do “Cristo que nasce longe”, distante da vida social – num não-lugar – oferecem a todos a extraordinária possibilidade de participarem no Mistério da vida e da esperança”, acrescenta.

A partir da “afinidade” que encontra entre o “mistério da vida de Cristo” e a vida dos militares, D. Rui Valério pede que se procurem “não-lugares”, que se vá ao encontro dos “irmãos, cidadãos de tantos não-lugares deste mundo para que, nas noites da solidão, de fadiga e de egoísmo, resplendeça e brilhe a Luz da esperança e do amor”.

“Vamos aos não-lugares das bermas dos passeios, onde jazem pobres e famintos muitos desistentes da vida; vamos aos não-lugares da desesperança, fecundos em gerar mecanismos de culpabilização e sentimentos de inutilidade; vamos aos não-lugares da pobreza fingida ou encapotada, onde se gastas tantas horas no dilema de escolher entre o vestir ou o comer, entre ter luz para iluminar e aquecer a casa ou o combustível para o transporte; vamos aos não-lugares da indecência, onde é posta em causa a dignidade das pessoas, enquanto pessoas”, indica.

LS

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