José Luís Nunes Martins

É ridículo julgar que a bondade e a beleza de uma obra dependem dos elogios que provoca.

Preocupamo-nos com o que o desejamos que os outros pensam de nós, como se as pessoas perdessem muito do seu tempo a pensar na nossa vida.

Os vaidosos são aqueles que temem o seu próprio interior, os que evitam o seu coração, como se não fosse digno. Preferem que os outros os aplaudam pelo que apenas parecem ser. Não é o próprio mérito que importa, apenas a imagem que os outros têm do nosso mérito.

Os vaidosos falam muito. São quase incapazes de se calar. Como se soubessem que a verdadeira graciosidade não está em se fazer notar, mas, tão-somente, em deixar-se distinguir.

A vaidade sonha alto e faz grandes planos, projeta-se até ao limite mais alto, depois faz sempre muito pouco e acaba por se encher de orgulho com a admiração causada a duas ou três pessoas, esquecendo-se que queria o mundo.

Um mistério da vaidade é saber se o próprio sabe ou não que se trata de vaidade e não da verdade. Há mesmo quem perca a capacidade de distinguir entre o que é e a opinião que gostava que os outros tivessem de si.

Tendemos a encontrar nos outros, com particular perspicácia, os nossos próprios defeitos. No caso da vaidade, isto é ainda mais evidente, uma vez que as vaidades colidem.

Talvez o maior perigo da vaidade é que se encontra onde menos se esperaria, por trás de gestos de grande virtude, como a bondade, o altruísmo, a humildade…

Que importância damos à opinião dos outros sobre nós? Quanto nos dedicamos a ela? Quanto tempo sacrificamos a criar imagens em vez de nos aplicarmos a ser e a fazer o que devemos?

A vaidade esquece algo muito importante: todos nós somos almas semelhantes.

Quem assume o que é, sem complexos de inferioridade, provoca dois tipos de reação: o repúdio dos que se julgam superiores e a verdadeira amizade dos que são autênticos.

Quem passa a sua vida em busca dos aplausos da multidão perde o seu tempo, pois ainda que consiga homenagens novas a cada dia não se dedicou ao que mais importa: a sua dignidade.

A bondade de alguém depende do que escolhe, não do que parece.

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