«É uma grande ajuda neste momento tão triste e doloroso para todos nós» – Padre Ivan Petliak

Moita, 28 fevv 2022 (Ecclesia) – O Apostolado do Mar/Stella Maris da Moita (Diocese de Setúbal), a junta de freguesia e o município locais promoveram este domingo uma ‘vigília pela paz na Ucrânia’, com a presença padre ucraniano Ivan Petliak.

“É uma grande ajuda neste momento tão triste e doloroso para todos nós. Não estamos sozinhos nesta luta e temos grande sentido de proximidade e fraternidade do povo de Portugal”, disse à Agência ECCLESIA o sacerdote, em serviço pastoral na Diocese de Setúbal,.

O padre Ivan Petliak, que convidou os presentes à oração, partilhou, por exemplo, que sobrinhas saíram da Ucrânia, pela fronteira com a Roménia, para a França, observando que os ucranianos estão a viajar para vários países “onde têm amigos, familiares”.

“Cada um procura o lugar mais perto da pátria para voltar e facilitar este caminho a deixar a sua terra, com crianças não é fácil ir para longe”, acrescentou, lembrando também que a comunidade ucraniana no Porto conseguiu “duas camionetas para ir buscar pessoas à fronteira”.

O sacerdote, que acompanha comunidades da Igreja Greco-Católica Ucraniana de Setúbal e do Montijo, salientou que há muitas mulheres que não querem ir embora do seu país, como a sua filha mais velha que não vai “deixar a sua terra, a sua família, e fica até ao fim”, a ajudar no que for preciso.

“A vida continua, não podemos deixar tudo, temos esperança que isto pare”, acrescentou, manifestando também disponibilidade de acolhimento em Portugal.

A vigília pela paz e solidariedade com o povo ucraniano foi organizada pelo Apostolado do Mar/Stella Maris da Moita, a junta de freguesia e a câmara municipal moitense, junto ao monumento a Nossa Senhora da Boa Viagem, a padroeira da Moita, no Largo do Cais.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o pároco Moita destacou a presença de “pessoas de vários quadrantes políticos”, ligadas ao poder local, mas também deputadas da Assembleia da República, o pároco de Alhos Vedros e um bispo da Igreja Anglicana.

“Quando se trata da paz todos estamos unidos”, afirmou o padre Sílvio Couto, explicando que o local escolhido para a vigília pela paz “não sendo neutro não tem vínculo de aproveitamento de outras forças”.

Nesta iniciativa rezaram a Nossa Senhora, entoaram cânticos religiosos, fado, o hino ucraniano e o hino português, para além de apelos à solidariedade e ao acolhimento de refugiados ucranianos.

A fé exprime-se em obras e as obras exprimem a fé, e é isso que quisemos fazer, até mesmo com estas sugestões de alimentos, medicamentos. Seria interessante que pudéssemos ir criando sensibilidade se houver pessoas que queiram vir para cá, e estou convencido que é capaz de haver essa disponibilidade das pessoas”, desenvolveu o padre Sílvio Couto.

Neste contexto, observou que ajudar no momento certo, às vezes, “é simplesmente o abrir uma porta”.

O padre Ivan Petliak, vigário paroquial de São Lourenço e São Simão, em Azeitão, e de Nossa Senhora da Boa Água e Nossa Senhora da Esperança, na Quinta do Conde, destacou também a disponibilidade solidária destas comunidades católicas, como os “agrupamentos de escuteiros, que “arranjaram um grande movimento para recolher tudo e levar onde for preciso”, e pessoas em nome pessoal “também perguntam como podem ajudar”.

O pároco da Moita, padre Sílvio Couto, adiantou que se for necessário outras iniciativas estão disponíveis e, neste tempo da Quaresma, que a Igreja Católica começa a viver esta Quarta-feira, dia 1, podem “desenvolver outras”.

O presidente da Caritas Diocesana de Setúbal, Domingos de Sousa, também se associou à ‘vigília pela paz’ e explicou à Agência ECCLESIA que a instituição está a acompanhar a situação na Ucrânia, tem preparado um apoio monetário de emergência, vão receber donativos, para além da preocupação com os refugiados ucranianos.

Mais de 500 mil pessoas deixaram a Ucrânia para se refugiar em vários países vizinhos desde que começou a ofensiva militar russa, na madrugada de 24 de fevereiro, referiu hoje o alto-comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi.

CB/OC

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