Padre Edegard Silva, missionário brasileiro em Pemba, conta que pequenos agricultores ficam “sem terra para plantar”

Moçambique, 20 jan 2021 (Ecclesia) – O padre Edegard Silva, missionário brasileiro em Pemba, Moçambique, disse à Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS) que “há muita fome entre os deslocados” que saíram de zonas agrícolas e a “vida na cidade não está fácil”.

“A cidade em si não tem gerado empregos, e mesmo que tivesse, os deslocados são pessoas simples, habituadas apenas “a trabalhar nas machambas, nas plantações”. “O que eles sabem fazer bem é plantar. Plantar o milho, plantar o feijão… É isso que eles sabem. Então, chegando aqui, não tendo trabalho, não tendo terra para plantar, então, tem muita fome”, divulgou o secretariado português da AIS.

O missionário que agora se encontra em Pemba, na província de Cabo Delgado, depois da “missão em Nangololo ter sido atacada e destruída pelos terroristas em outubro de 2020”, aponta ainda a dificuldade de integração dos deslocados.

“São pequenos agricultores que vivem da agricultura familiar, o facto de haver novas aldeias onde as populações se estão a abrigar não significa, porém, que os problemas tenham terminado”, refere.

Segundo o sacerdote, a Diocese de Pemba necessita de uma “nova orgânica” que deve ser realizada pelo bispo responsável, D. Fernando Luiz, depois de regressar do Brasil, “onde foi submetido a uma cirurgia oftalmológica”. 

“É uma nova ação da Igreja, da presença da Igreja até porque os reassentamentos com certeza que não são só de cristãos. Vai ter que pensar no atendimento aos cristãos mas pode até ser que nesses reassentamentos, num primeiro momento, não seja um trabalho de catequese mas seja um trabalho mais humanitário, de pensar a saúde, de pensar a educação, já que aqui a evangelização passa por essa dimensão social”, afirma.

A região norte da província de Cabo Delgado tem estado sob ataque de grupos armados que têm reivindicado pertencer ao Daesh, a organização terrorista ligada ao autoproclamado ‘Estado Islâmico’. 

Os ataques tiveram início em 2017, mas atingiram maior violência em 2020 com aldeias e vilas destruídas, pessoas raptadas e assassinadas; calcula-se que terão já morrido mais de duas mil pessoas e haverá mais de 600 mil deslocados.

SN

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