«Osservatore Romano» elogia papel de intuições católicas e ajuda do presidente português

Cidade do Vaticano, 29 jul 2021 (Ecclesia) – O jornal do Vaticano destaca hoje, em primeira página, a “emergência sem fim” na província moçambicana de Cabo Delgado, a norte do país lusófono, “alvo de ataques terroristas jihadistas desde 2017”.

“Quando falamos sobre refugiados ou pessoas deslocadas, nunca percebemos que a maioria deles são crianças e mulheres. É também o que está a acontecer na esquecida crise humana em Cabo Delgado”, refere a edição diária em italiano do ‘Osservatore Romano’.

O jornal cita números oficiais do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) que falam em 732 mil pessoas forçadas a deixar suas casas pela violência, das quais cerca de metade, 335 mil, são crianças.

“Milhares de famílias buscaram refúgio nas províncias de Nampula, Niassa e Zambézia. Fogem com medo, sem documentos, com poucas coisas, e refugiam-se com amigos e parentes, ou acampam em condições desesperantes na fronteira com a Tanzânia: passam as noites ao ar livre num clima extremamente frio, sem abrigo ou cobertores”, pode ler-se.

A notícia sublinha que apenas 10% dos deslocados internos conseguem receber ajuda humanitária nos campos.

“Para os outros, só há uma mobilização solidária por parte de paróquias, missionários, associações e realidades de diferentes confissões e religiões, pelo menos para distribuir alimentos e bens essenciais”, indica o ‘Osservatore Romano’.

O jornal do Vaticano elogia o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, pela decisão de oferecer o valor monetário do prémio da CPLP, um total de 30 mil euros, à Caritas Moçambique e às ONG envolvidas na ajuda humanitária.

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu no início de julho representantes do “Movimento por Cabo Delgado”, um conjunto de organizações da sociedade civil portuguesa que trabalham na defesa das populações daquele território moçambicano.

Desde 2019, a Cáritas Portuguesa tem apoiado a população de Moçambique tanto na resposta ao impacto dos Ciclones Idai e Kenneth,como no apoio de emergência alimentar e reconstrução de meios de vida dos deslocados de Cabo Delgado.

“Cabo Delgado é uma das áreas mais ricas em campos de gás e recursos minerais, explorados por grandes empresas multinacionais, enquanto a população é privada de serviços sociais e de saúde, sem beneficiar de nada”, realça o jornal do Vaticano.

Segundo a publicação, esta situação foi “terreno fértil” para uma estratégia extremista, com o objetivo de “controlar violentamente o território e as riquezas”.

OC

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