Manuel Nota identifica «alimentação, abrigos e vestuário» como principais necessidades na assistência às vítimas do conflito

Deslocados em Pemba, Moçambique.
Foto: Lusa/EPA

Pemba, Moçambique, 07 abr 2021 (Ecclesia) – O diretor da Cáritas Diocesana de Pemba disse que a alimentação, abrigos e vestuário são as principais necessidades das pessoas deslocadas por causa dos ataques armados no norte de Moçambique e destacou os efeitos positivos do acompanhamento psicossocial.

“Estamos a notar melhorias, no princípio quando começamos com o trabalho de acompanhamento psicossocial as pessoas estavam mais fechadas, não se abriam tanto, mas quando estávamos a tentar despedir diziam para continuar”, explicou hoje à Agência ECCLESIA Manuel Nota.

O responsável adiantou que, para além de acompanhar psicologicamente as pessoas, a Cáritas desenvolve atividades.

“Falam muito bem desse trabalho psicossocial, praticamente as pessoas viram amigos da Igreja, até os muçulmanos gostam de nós quando chegamos: não vamos só dar bens materiais mas também conversar, e faz esquecer aquilo que viveram”, desenvolveu.

Desde 2017, a Província de Cabo Delgado tem sido palco de conflitos armados que provocaram mais de 770 mil pessoas deslocadas, com cerca de 2 mil mortes.

O diretor da Cáritas Diocesana de Pemba disse que este ano já atenderam “perto de 40 mil famílias”, um trabalho desenvolvido nos centros de acolhimento, nos locais de reassentamento e em casas famílias de acolhimento.

Manuel Nota explica que a primeira necessidade das pessoas é a alimentação, já que “muitos saíram dos seus locais só com a roupa que tinham e correram para um sítio seguro”.

Na lista das necessidades, os abrigos aparecem em segundo e “o grande desafio é a escassez de material de construção”.

As pessoas “vivem em pequenas cabanas”, principalmente as que estão em sítios de acolhimento, onde “recebem uma lona”, nos locais de reassentamento foi atribuído “um espaço de 15 por 20 para construir a sua casa e um espaço para a prática de agricultura”.

Os deslocados também precisam de roupa que a Cáritas diocesana e outras organizações distribuem, mas “não em quantidade suficiente” e, nem sempre, de acordo com as “necessidades reais”, dada a dimensão dos pedidos.

Atualmente, têm chegado menos pessoas à capital da Província de Cabo Delgado, porque muitos ainda estão “nas matas”, outros a caminhar para “uma aldeia ou vila segura”, e quem consegue boleia vai para Pemba.

“Desde que a Total parou de transportar as pessoas de Afungi para Pemba o movimento no porto baixou”, acrescentou o responsável da Cáritas local.

O entrevistado indicou que é preciso conseguir financiamento de parceiros e organizações, empresas e países para vários projetos e esses fundos estão a chegar de “vários sítios”, desde congregações religiosas a outras Cáritas, como de Portugal, Espanha, da Alemanha, ou da América.

“Agora estamos a implementar um projeto do Governo da Hungria e vamos construir algumas casas para deslocados”, explicou Manuel Nota.

A Cáritas Diocesana de Pemba assume ainda o atendimento a pessoas não deslocadas, ajudando o trabalho das paróquias católicas, dinamizando também projetos de desenvolvimento, educação e assistência social.

CB/OC

O diretor da Cáritas Diocesana de Pemba considera que “as autoridades ficaram muito tempo caladas” e demoraram muito tempo para “assumir que Moçambique não estava estável”.

“D. Luiz (bispo emérito de Pemba) foi falando e um dia o Santo Padre falou de Moçambique [Páscoa de 202, ndr], então praticamente todo o mundo ficou a saber que Cabo Delgado estava passar uma crise humanitária terrível e precisava de apoio. Começamos a ver muitas organizações humanitárias a aproximar-se”, desenvolveu.

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