Lisboa, 02 out 2019 (Ecclesia) – A diretora executiva da Associação ‘Sol Sem Fronteiras’ afirmou que estar em saída “é muito mais lato do que fisicamente” fazer um projeto de voluntariado” e, para além dos missionários, as suas comunidades também são envolvidas neste espírito.

“As comunidades paroquiais dos voluntários que partem estão completamente em saída, estão à procura de ajudar, estão à procura de chegar aqueles que estão mais longe, estão curiosos por saber o que aconteceu”, disse Inês Souta em entrevista à Agência ECCLESIA.

Segundo a entrevistada as comunidades “acabam por fazer a sua missão com os pés bem assentes cá”, uma vez que hoje fala-se com “muita regularidade” de «Igreja em saída», mas “nem todos têm capacidade de apanhar um avião” e ir um mês para a Guiné-Bissau, por exemplo.

A jovem voluntária, que já realizou missões de curta duração, assinala que os voluntários da associação ‘Sol Sem Fronteiras’ “imbuídos” do espírito missionário também envolvem “as suas famílias, os seus amigos, os grupos paroquiais” e na escola nos seus projetos, “acabam por contagiar todos à sua volta”.

“Nestes projetos de curta duração, que são de um mês ou três semanas, a minha opinião pessoal é que a mudança mais importante e a semente mais relevante é a marca que ele deixa antes de ir e ao chegar”, desenvolve.

A ‘Sol Sem Fronteiras’ é uma ONGD – organização não-governamental para o desenvolvimento sem fins lucrativos, que nasceu ligada à família dos Missionários do Espírito Santos (Espiritanos) e tem como “visão, sonho”, conseguir chegar a todos “garantindo as igualdades de oportunidade”.

Neste âmbito, a responsável explica que o trabalho da associação desenvolve-se através de três eixos: “Projetos de cooperação para o desenvolvimento em países em desenvolvimento”, como Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Paraguai, e os projetos de voluntariado de curta e longa duração.

Essencialmente, os projetos são na área da educação, com o apoio a escolas, a criação de refeitórios, a formação de professores, e, geralmente, sempre ligados à infância e à juventude.

A Igreja Católica está a viver em outubro um Mês Missionário Extraordinário, convocado pelo Papa Francisco, e Portugal a terminar o Ano Missionário Especial, convocado pela conferência episcopal, com o tema ‘Todos, tudo e sempre em missão’.

Para Inês Souta, este ano especial “pode ter ajudado” algumas paroquias e algumas comunidades a “olhar um bocadinho mais para a missão, não só ad gentes”, mas também em território nacional e “relembrar que a Igreja tem de estar em movimento”.

“Sentimos que talvez as pessoas estejam mais despertas, que não sintam a missão como uma coisa longínqua, partir em voluntariado não é algo que são só uns especiais escolhidos”, acrescentou a entrevistada que este ano deixou a sua área de formação profissional, a Engenharia, e a consultoria para se dedicar à Associação ‘Sol Sem Fronteiras’.

Inês Souta lembra que esteve durante muitos anos ligada ao movimento ‘Jovens Sem Fronteiras’ com quem fez experiências de voluntariado em Portugal e em países lusófonos, como “na periferia do Rio de Janeiro”, no Brasil, ou em Angola.

Ao longo desta semana, até sexta-feira, o programa Ecclesia na rádio Antena 1 é dedicado à missão, no âmbito do Ano Missionário que a Igreja Católica em Portugal está a viver até final de outubro.

LS/CB

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