Cardeal de Boston, D. Sean O’Malley, preside à 35º Peregrinação do Migrante e Refugiado ao Santuário de Fátima, em Agosto. A Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH) decidiu que a Semana Nacional de Migrações, animada em todas as dioceses pelos Secretariados da Pastoral de Migrações/Mobilidade e Capelanias, sob o lema “Família: santuário de vida, amor e identidade”, de 12 a 19 de Agosto, fosse dedicada às Comunidades Portuguesas do Continente americano. Estima-se (sem contar os milhares de lusodescendentes difíceis de quantificar) em cerca de três milhões os portugueses a residir nesse continente além-mar. Um Continente que, de forma especial desde a segunda metade do séc. XIX, tem acolhido enormes vagas de emigrantes europeus e suas famílias em exílio, em fuga, em busca de terra, pão e trabalho fartos. Sem deixar de ser um Continente de imigração e de grandes deslocações internas (especialmente de sul para norte), tornou-se também recentemente, devido à Globalização, porto de partida transatlântica. Ao contrário da Europa, o Continente americano, de terra de imigração que sempre foi tem-se tornado crescentemente em terra de emigração, de onde pessoas e famílias – sobretudo da América Central e do Sul – partem rumo à Europa e a outras paragens do mundo. Segundo as estimativas da DGACCP relativas a 2005 e, fazendo referência apenas às grandes comunidades lusas, os portugueses repartem-se do seguinte modo: Argentina: 12.500, Brasil: 700.000, Bermuda: 2.000, Canada: 506.270, EUA: 1.177.122 e Venezuela: 400.000. E porque, na ultima década, o fluxo de saída de portugueses tem aumentado – por razões laborais e de reagrupamento familiar, e porque a Igreja continua a considerar urgente despertar o País para uma reconceptualização da emigração e nova solidariedade, devido às novas mobilidades, aos novos problemas, aos novos emigrantes e às novas potencialidades evangelizadoras que estas vagas apresentam, a CEMH e a diocese de Leiria-Fátima decidiram convidar Sua Eminência Cardeal D. Sean O’Malley, arcebispo de Bóston (EUA), para presidir à Peregrinação do Migrante e Refugiado a Fátima: peregrinação aniversária de Agosto integrada nas celebrações dos 90 anos das Aparições e Mensagem de Fátima. Faz todo o sentido convidar o bispo de uma diocese que acolhe uma das mais numerosas e dinâmicas Comunidades Portuguesas dispersas pelo mundo. Uma comunidade constituída, na sua grande maioria por famílias emigrantes das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. Uma Comunidade que participa de forma muito activa na vida religiosa, associativa, económica e politica das várias nações americanas onde se encontram acolhidos e integrados, mas que também atravessa actualmente dificuldades. Pense-se à precária e instável situação sócio-política da Venezuela e Argentina, aos irregulares e famílias em situação de deportação no Canadá e EUA, só para citar alguns problemas que afectam o futuro dessas famílias e que exigem das Missões Católicas de Língua Portuguesa e dos Consulados uma acção solidária e conjunta. A OCPM com a Semana Nacional pretende atingir dois objectivos: celebrar, por um lado, a gratidão sincera para com os países americanos que acolheram – e continuam a acolher e a querer integrar – os emigrantes portugueses possibilitando-lhes fora o que o País não lhes conseguiu dar para seus projectos de vida pessoal e familiar; e, por outro, estreitar os laços de comunhão bilateral e intensificar a cooperação missionária entre as Comissões Episcopais da Mobilidade Humana de Portugal e dos EUA. Há 45 anos a servir a mobilidade humana que atravessa Portugal Portugueses no mundo Actualmente a Comissão Episcopal da Mobilidade Humana (CEMH) da CEP, através da OCPM, acompanha a “pastoral portuguesa” pelo mundo fora mantendo laços com: 123 sacerdotes (37 na Europa, 4 em África, 77 na América, 5 na Ásia e Oceânia); com 30 religiosas (22 na Europa e 8 em África); com 22 diáconos permanentes (7 na Europa, 15 na América); e, 30 Assistentes pastorais formados em teologia (dos quais 19 na Europa). Além destes operadores portugueses ou lusodescendentes cresce o número de sacerdotes de outras nacionalidades que acompanham as Comunidades no espírito de universalidade e cooperação missionária que caracteriza a acção da Igreja. Imigrantes em Portugal Actualmente a Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, após o levantamento nacional de 2006, tem conhecimento da existência de várias capelanias/centros ao serviço da fé dos imigrantes cristãos em Portugal: 12 sacerdotes (para 9 capelanias católicas linguísticas de rito latino); 7 sacerdotes, dos quais 3 casados (para 5 capelanias católicas linguísticas de rito oriental); e 10 sacerdotes, dos quais 2 celibatários (para 8 capelanias linguísticas ortodoxas). Também a nível das comunidades evangélicas surgiram ultimamente, sobretudo nas grandes cidades, estruturas de maior acompanhamento da fé. Manuel da Silva

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