Santarém, 01 out 2019 (Ecclesia) – A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) afirma que o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, no início do ano pastoral das comunidades católicas, “é um convite e oportunidade” para colocar “verdadeiramente” o tema na “agenda”.

“As migrações, embora sempre tenham existido, são sinal dos tempos hodiernos, e apenas a ponta do icebergue, de algo muito maior, intenso e complexo que nos permite de uma forma interdisciplinar perceber as mudanças e encruzilhadas sociais desta globalização que exclui, descarta e mata os mais vulneráveis”, escreveu Eugénia Costa Quaresma numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

A responsável afirma que a celebração do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que em 2019 foi assinalado pela primeira vez no último domingo de setembro, quer colocar o tema na agenda pastoral diocesana e paroquial.

“Serve este dia para nos recordar a transversalidade das migrações com outros setores da pastoral, reconhecendo  força e a responsabilidade do trabalho colaborativo e interligado. A complexidade e a intensidade das migrações assim o exigem, é urgente romper fronteiras e construir pontes, dentro das nossas estruturas eclesiais”, desenvolveu.

Segundo Eugénia Quaresma, as pessoas em contexto de mobilidade humana “contribuem para amadurecimento na fé e compromisso de transformação eclesial e social”, com elas aprende-se “o dom e a riqueza da diversidade”.

A diretora da OCPM realça que o DMMR, este ano celebrado pela primeira vez a 29 de setembro, “continua o seu firme propósito de sensibilizar para as potencialidades e necessidades do fenómeno migratório”.

O Papa Francisco escreveu a mensagem ‘Não se trata apenas de migrantes’ e na Missa que presidiu, este domingo, no Vaticano, alertou para as consequências da “globalização da indiferença”, antes de abençoar uma escultura que retrata migrantes de todos os tempos.

Eugénia Costa Quaresma contextualiza que a mensagem do Papa foi apresentada gradualmente em subtemas: “Trata-se dos nossos medos, da caridade, da nossa humanidade, de não excluir ninguém, de colocar os últimos em primeiro lugar, da pessoa toda e de todas as pessoas, no fim trata-se de um caminho que nos exorta à reflexão e conversão, a fim de que edifiquemos a cidade de Deus e do Homem, de forma consciente e comprometida”.

No âmbito do 105.º  Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, a Comissão Episcopal da Pastoral Social Mobilidade Humana, através da Obra Católica Portuguesa de Migrações e da Cáritas Portuguesa, trouxe a Portugal o padre Alfredo Gonçalves, assessor para a mobilidade humana da Conferência Nacional de Bispos do Brasil – CNBB.

O sacerdote português, natural da Diocese do Funchal, esteve nas Dioceses de Setúbal, Bragança-Miranda e Santarém, entre 23 a 29 de setembro, que falou, por exemplo, de quatro “Rs” no contexto dos migrantes e refugiados: “rostos, rotas, raízes” e “respostas”.

“A migração é um sinal dos tempos e o migrante é profeta e protagonista do futuro”, já tinha realçado o sacerdote português, em entrevista à Agência ECCLESIA.

CB

Dia Mundial do Migrante e Refugiado – A experiência e a realidade de quem acolhe e é acolhido – Emissão 29-09-2019

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