Responsável pela pastoral de língua portuguesa no país alerta para o perigo de partir «à aventura» para uma região também tocada pela crise económica

Lisboa, 04 jul 2012 (Ecclesia) – O coordenador da Missão Católica Portuguesa no Luxemburgo está preocupado com o futuro da nova vaga de emigrantes lusitanos, que buscam uma vida melhor num país que “já não é mais o sonho do passado”.

“Com a falência de muitas empresas e a vinda de muitos emigrantes que moram na Alemanha, na Bélgica e na França, para trabalharem no Luxemburgo, as oportunidades de emprego diminuíram”, realça o padre Remildo Boldori, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O responsável pela pastoral de língua portuguesa naquele Grão-Ducado, situado na Europa Ocidental, está em Portugal a participar no Encontro Internacional da Pastoral de Migrações.

A iniciativa, que se prolonga até sexta-feira em Alfragide, na região de Lisboa, está inserida na comemoração dos 50 anos da Obra Católica Portuguesa das Migrações e dá a oportunidade a representantes de diversos países europeus apresentarem e debaterem aqueles que são os principais desafios para o futuro.

Há três anos na comunidade de Esch-sur-Alzette, na região sul do Luxemburgo, o padre Remildo Boldori, da congregação religiosa dos Scalabrinianos, realça que “a prioridade atual é mostrar aos emigrantes portugueses que, com a crise económica, muitas vezes os projetos que são feitos no momento de partida não se realizam à chegada”.

“A taxa de desemprego no Luxemburgo é hoje de 6 por cento, atingindo mais de 15 mil pessoas, na sua maioria portugueses”, adianta o sacerdote.

“O único trabalho que ainda se vai encontrando”, de acordo com o mesmo responsável, “é no setor da limpeza, mas as vagas são muito disputadas”.

As alternativas dos novos emigrantes portugueses são muito reduzidas, uma vez que o Governo luxemburguês quer que as agências de emprego privilegiem essencialmente pessoas que já têm residência no país há vários anos.

Por outro lado, as oportunidades de emprego existentes chocam com as características dos migrantes lusos, na sua grande maioria “trabalhadores especializados” e com “estudos universitários”.

Apesar disso, o número de portugueses que parte para aquele território europeu tem vindo a aumentar nos últimos anos.

De acordo com a Cáritas do Luxemburgo, até há bem pouco tempo o Grão-Ducado recebia entre mil a dois mil portugueses por ano e agora esse número já chega aos seis mil.

“Ainda na semana passada, pagámos a viagem a um senhor que estava cá já há três semanas e não encontrava trabalho nem local para morar, porque o aluguer das casas subiu muito”, sublinha o padre Remildo Boldori.

Neste momento, a capelania portuguesa do Luxemburgo está a apostar essencialmente na “informação” e sensibilização dos novos emigrantes, para que “não venham para o país à aventura” e saibam pelo menos “um pouco da língua”.

A mensagem está a ser transmitida com o apoio das comunidades mais antigas, sobretudo familiares que estão no país e que procuram alertar os emigrantes mais jovens para as dificuldades que os esperam.

Os últimos números fornecidos pelo conselheiro das Comunidades Portuguesas no Luxemburgo, Eduardo Dias, avançados em março deste ano à agência Lusa, mostram que existem atualmente perto de 115 mil emigrantes lusos naquele país.

JCP

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