José Júlio Carvalho recorda que sacerdote apoiou os pescadores nas suas «reivindicações contra o anterior regime»

Setúbal, 24 fev 2021 (Ecclesia) – José Júlio Carvalho, da Paróquia da Anunciada, em Setúbal, recorda com gratidão a vida do padre Manuel Vieira, dedicada à “ajuda aos mais pobres e desfavorecidos”.

“Desde cedo, era muito novito quando o padre Manuel veio para a Anunciada, sempre ouvi falar aos mais velhos, e ao meu sogro que era pescador, que o padre Manuel Vieira dedicou toda a sua vida na ajuda aos mais pobres e desfavorecidos”, disse o entrevistado na edição de hoje das ‘Memórias que Contam’.

O sacerdote faleceu aos 98 anos de idade, a 5 de julho de 2020.

O padre Manuel Vieira serviu a Igreja e as pessoas na Paróquia da Anunciada, na Diocese de Setúbal, ao longo de 42 anos, entre 1963 e 2005, primeiro como pároco, depois administrador das Obras Sociais e ainda recebeu o título de pároco emérito.

“Estava sempre pronto para ajudar os mais pobres dos pobres”, sublinha José Júlio Carvalho.

Na paróquia sadina criou diversas obras sociais e de apoio à população, como o Centro Social Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada, ou as dedicadas ao Apostolado do Mar, onde fundou o Clube Stella Maris para os pescadores ou os marinheiros de longo curso; criou ainda instalações para acolher as crianças, quando as mães iam para as fábricas de conserva de sardinha.

José Júlio Carvalho salienta que o padre Manuel Vieira procurou “sempre” ajudar os pescadores nas suas “reivindicações contra o anterior regime”, por exemplo, e, do que o seu sogro contou, lembra que numa das greves da década de 60, o sacerdote apoiou os pescadores com o seu carro para “tentar que a PIDE não conseguisse prender nenhum dos pescadores que se estavam a manifestar”.

“Andou no meio deles, a desviá-los, e procurar que os pescadores fossem ouvidos e não fossem presos. Passados uns dias foi chamado às instalações da Pide e foi bastante apertado na altura”, acrescenta.

José Júlio Carvalho explica também que o padre Manuel Vieira criou a Comissão do Senhor do Bonfim e “conseguiu restaurar tradições muito esquecidas”.

“Também preocupou em levar os mestres dos barcos a fazer os Cursilhos de Cristandade para depois revitalizar as homenagens em honra ao Senhor Jesus do Bonfim, o patrono dos pescadores de Setúbal”, lembra o vice-presidente da Comissão do Senhor do Bonfim.

A ação pastoral do padre Manuel Vieira também está ligada à pastoral da juventude e “ajudou muito jovens durante toda a vida”, por exemplo, levou o Movimento Convívios Fraternos para a Diocese de Setúbal e na Paróquia da Anunciada criou o Agrupamento 484 dos Escuteiros, fundado a 17 de julho de 1967.

“É conhecido por toda a gente da paróquia. Tentamos transmitir o seu historial aos mais novos e recordarei sempre o padre Vieira como um grande amigo do seu amigo e um pai para os pobres”, concluiu José Júlio Carvalho.

O padre Manuel Vieira nasceu em Assentis, Torres Novas, no dia 5 de maio de 1922, e foi ordenado presbítero pelo cardeal Manuel Cerejeira, a 29 de junho de 1953, na Sé de Lisboa.

‘Memórias que Contam’ são as novas conversas online na Agência ECCLESIA que estão a evocar pessoas ligadas à Igreja Católica, que faleceram durante a pandemia, ao longo da Quaresma.

CB/OC

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