Médio Oriente: «Paz exige respeito pela dimensão multicultural e multirreligiosa dos povos» – Arcebispo de Évora

D. Francisco Senra Coelho acredita na transformação, mas a mudança “de mentalidades é muito longa”

Foto Abir Sultan/EPA/Lusa, Tel Aviv

Évora, 17 mar 2026 (Ecclesia) – O Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, considera que a paz no Médio Oriente exige “com clareza” o “respeito” por várias dimensões dos povos, mas acredita “na transformação”, apesar da” mudança de mentalidades ser longa”.

“Eu acredito que com o andar de um tempo longo, porque a mudança de mentalidades é muito longa, vai-se fazer a transformação, mas a paz do Médio Oriente exige com clareza o respeito pela dimensão plural, multirracial, multicultural, multirreligiosa dos povos e exige o respeito da separação entre o serviço, que deve ser serviço, na dimensão política à cidadania e a dimensão religiosa”, disse o Arcebispo de Évora à Agência ECCLESIA.

A ética deve ser “inspirada nos valores”, todavia os valores económicos têm “um peso enorme” e que não contribuem para a paz.

“Sabemos que é uma zona não só de petróleo como de passagem de petróleo, sabemos que o Irão, a Venezuela e esta circunstância de serem dois momentos coetâneos não será tão por acaso”, referiu D. Francisco Senra Coelho

Para o Arcebispo de Évora, a “hegemonia dos Estados Unidos da América, em união com Israel, que tem uma necessidade muito grande de afirmação, se coadunam, conjugam para interesses comuns”.

Foto Abedin Taherkenareh/EPA/Lusa, Irão

“É evidente que o fator económico é predominante, mas o fator económico serve-se sempre de uma cobertura e legalização”, apontou.

Quando a religião se cruza com a política e com o estado, os atritos são mais frequentes e ainda “não existe” a experiência de separação entre a política e a religião.

“Há uma grande falta de experiência desta separação que leva à tolerância, ao respeito, à pluralidade” por isso, pode-se dizer que “o Islão ainda vive a experiência que o Cristianismo teve na Idade Média, quando estava unido trono e altar e, quando os interesses do rei, da coroa monárquica eram os interesses da Tiara do Papa e das Mitras dos Bispos”.

Para que a paz volte a dominar a vida daqueles povos “vai ser necessário um caminho muito grande, que vai passar muitíssimo pelas novas gerações e vai passar muitíssimo por aquilo que é a educação, por aquilo que é a formação humana”, sublinhou D. Francisco Senra Coelho

LFS

 

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