Médio Oriente: Bispos da União Europeia apelam à diplomacia para travar guerra

Presidente da COMECE fala em momento «profundamente preocupante»

Foto: Lusa/EPA

Bruxelas, 05 mar 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) apelou ao regresso da diplomacia para travar a escalada de violência no Irão e em todo o Médio Oriente.

“É profundamente preocupante que o recurso à violência volte a prevalecer sobre os esforços diplomáticos”, alertou D. Mariano Crociata, numa declaração oficial divulgada pela página da comissão.

O organismo representativo dos episcopados católico junto das instituições europeias aponta o dedo à fragilização das normas globais provocada pelo atual conflito armado.

“A grave crise em curso marca um enfraquecimento ainda maior da ordem internacional baseada em regras e um contínuo desrespeito pelo direito internacional”, sustenta a nota.

O presidente da COMECE manifestou a sua proximidade para com as populações locais, sublinhando os perigos da atual estratégia militar assumida pelas partes envolvidas no terreno.

“A situação atual demonstra que a lógica da retaliação e da vingança corre o risco de alimentar uma espiral de violência, pondo em perigo a estabilidade regional e global e podendo conduzir a uma tragédia de proporções imensas”, assinalou D. Mariano Crociata.

A mensagem da organização europeia alinha com os recentes apelos do Papa Leão XIV, desafiando o bloco comunitário a assumir um papel ativo e unido na resposta à crise internacional e na defesa dos tratados de segurança.

Desejo exortar a União Europeia a permanecer unida e a renovar a sua vocação como projeto de paz: promover a desaceleração entre todas as partes envolvidas, relançar os esforços diplomáticos e defender de forma coerente o direito internacional, incluindo no domínio da não proliferação nuclear.”

O organismo católico exortou ainda as instâncias políticas europeias a garantirem a proteção dos cidadãos que residem na região afetada e a prepararem respostas atempadas para os impactos económicos do conflito bélico.

“Isto implica também fazer face às consequências adversas de potenciais perturbações no abastecimento energético”, referiu o presidente da COMECE.

A declaração termina com uma invocação espiritual focada na esperança de um novo horizonte de dignidade e paz para os territórios atingidos pela guerra.

“Que se abra um novo capítulo para o povo do Irão e da região, permitindo-lhes embarcar num caminho rumo a um futuro pacífico marcado pelo respeito pela dignidade humana e pelos direitos humanos fundamentais”, concluiu a mensagem.

OC

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