Responsáveis portugueses destacaram impulso dado à presença digital, face ao confinamento

Lisboa, 24 mai 2020 (Ecclesia) – A Igreja Católica celebra hoje o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano alerta para as narrativas “falsas” e “devastadoras”, por iniciativa do Papa.

“Numa época em que se revela cada vez mais sofisticada a falsificação, atingindo níveis exponenciais (o ‘deepfake’), precisamos de sabedoria para patrocinar e criar narrações belas, verdadeiras e boas”, escreve Francisco.

O texto tem como tema “‘Para que possas contar e fixar na memória’ (Ex 10, 2).

O Papa recordou hoje esta celebração, no Vaticano, após a recitação da oração do ‘Regina Caeli’.

Assinala-se hoje o Dia Mundial das Comunicações Sociais, dedicado este ano ao tema da narração. Que este tema nos possa encorajar a contar e partilhar histórias construtivas, que nos ajudem a compreender que somos todos parte de uma história maior do que nós”.

“Olhemos com esperança para o futuro, tomando verdadeiramente conta, como irmãos, uns dos outros”, acrescentou.

Neste dia mundial, foi lançado pelo Vaticano o livro ‘Diferentes e unidos: Com_unico, logo existo’, com um texto inédito do Papa e prefácio do arcebispo de Cantuária, Justin Welby, líder da Igreja Anglicana.

Francisco escreve que o olhar de amor de Jesus Cristo deve inspirar qualquer comunicação, caso contrário “o diálogo entre as pessoas, pode facilmente tornar-se apenas um duelo dialético”.

“Ele entra em relação com os homens e comunica com eles. O olhar de Jesus é um olhar de amor gratuito e generoso, até à total doação de si”, assinala.

Em Portugal, a Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais publicou no início do mês uma nota em que destaca o “serviço fundamental” dos media, durante a pandemia de Covid-19.

“A par com tantos heróis que estão na linha da frente a salvar vidas e acompanhar os que são mais excluídos e isolados, teremos de reconhecer e louvar o serviço fundamental e imprescindível da comunicação social. Toda ela, mas de modo especial a de proximidade como seja a comunicação social regional”, refere o documento, enviado à Agência ECCLESIA pelo organismo da Igreja Católica em Portugal.

A comissão destaca as dificuldades que atingem o setor dos medias e apelam ao apoio das autoridades públicas, como reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela Comunicação Social “na coesão nacional, na promoção cultural, na relação que estabelecem entre cidadãos que que estão fora do seu país”.

A Igreja Católica assinala a data, em boa parte das dioceses portuguesas, sem a celebração comunitária da Missa, devido à pandemia, pelo que se sugere que a recolha de donativos para os secretariados do setor (a nível nacional e em cada uma das dioceses) se faça “num domingo que seja mais oportuno”, não sendo possível no dia próprio.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi a única celebração do género estabelecida pelo Concílio Vaticano II, no decreto ‘Inter Mirifica’, em 1963; assinala-se no domingo antes do Pentecostes

Na última sexta-feira, o Secretariado Nacional para as Comunicações Sociais promoveu um encontro online com responsáveis diocesanos para assinalar o dia mundial dedicado ao setor, num momento de reforço da presença digital da Igreja Católica.

D. João Lavrador, bispo de Angra e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, destacou que o isolamento forçado por causa da pandemia de Covid-19 “obrigou a acelerar algo que é muito importante”, a presença no “digital, as redes sociais”.

“Não é só um meio, mas uma cultura, acrescentou.

Durante a iniciativa foi anunciado o vencedor do ‘Prémio de Jornalismo Dom Manuel Falcão 2020’.

OC

Media: Bispos portugueses elogiam «serviço fundamental» da comunicação social em tempos de pandemia

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