Francisco recebeu responsáveis da Secretaria para a Comunicação, incluindo D. Nuno Brás

Cidade do Vaticano, 23 set 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco sustentou hoje no Vaticano que a comunicação é uma “missão” para a Igreja Católica, que exige investimento e “coragem”.

“Para a Igreja, a comunicação é uma missão. Nenhum investimento é demasiado alto para espalhar a Palavra de Deus. Ao mesmo tempo, todo o talento deve ser bem empregue, feito para dar frutos”, referiu, no discurso que entregou aos responsáveis da Secretaria para a Comunicação (Santa Sé), incluindo D. Nuno Brás, bispo do Funchal.

Francisco deixou de lado o texto que tinha preparado, confiando-o a Paolo Ruffini, o primeiro leigo a desempenhar o papel de prefeito de um Dicastério da Santa Sé.

Já na sua intervenção improvisada, o Papa pediu uma comunicação “austera, mas bonita”, que transmita a mensagem como “testemunho” e através de “substantivos”, sem adjetivar as pessoas

“Comunicação como mártires, isto é, como testemunhas de Cristo: como mártires”, precisou.

O Papa observou que, na Igreja Católica, comunicar não é um trabalho de “publicidade”, mas uma imitação do “ser de Deus”, que não pode ficar sozinho, pelo que se deve transmitir “o verdadeiro, o certo, o bom e o belo”.

A intervenção alertou para a tentação de “resignação” perante a falta de meios, observando que os “poucos” têm a missa de ser como o “fermento, como o sal”.

Todos os presentes no encontro cumprimentaram Francisco pessoalmente.

A Assembleia Plenária da Secretaria para a Comunicação decorre até quarta-feira, no Vaticano.

Ainda esta manhã, o Papa recebeu uma delegação da União Católica de Imprensa Italiana, a quem pediu que sejam “a voz da consciência de um jornalismo capaz de distinguir o bem do mal, as escolhas humanas das desumanas”.

“O jornalista – que é o cronista da história – é chamado a reconstruir a memória dos factos, a trabalhar pela coesão social, a dizer a verdade a todo o custo: também há uma parrésia, isto é, uma coragem do jornalista, mas sempre respeitoso, nunca arrogante”, apontou.

Francisco assinalou que a comunicação tem necessidade de palavras “verdadeiras” no meio de palavras “vazias”, criticando o “alambique” dos interesses financeiros que limitam opções editorais.

“Na era da Web, a tarefa do jornalista é identificar fontes fiáveis, contextualizar, interpretar e hierarquizar. Eu dou sempre este exemplo: uma pessoa morre congelada na rua e isso não é notícia; a bolsa cai dois pontos e todas as agências falam sobre isso”, ilustrou.

Em conclusão, o Papa desafiou os jornalistas a “inverter a ordem das notícias” para “dar voz àqueles que não as têm”.

OC

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