Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação aponta os «desafios concretos» da primeira encíclica de Leão XIV para a cultura

Santarém, 01 jun 2026 (Ecclesia) – O prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação explicou os “desafios concretos” da encíclica papal ‘Magnifica Humanitas’ para este organismo da Santa Sé, e como as artes, os poetas podem ser mestres neste tempo de inteligência artificial.
“O Santo Padre fala na encíclica que as artes são uma profecia, porque ensinam o homem a ser pessoa. Ensina-nos a arte do espanto, ensina-nos o silêncio, essa lentidão do olhar, essa duração que não se fixa apenas no imediato, essa capacidade de fazer de cada instante uma soleira das grandes perguntas”, disse D. José Tolentino Mendonça, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O cardeal português, poeta e escritor, realça que “é importante” quando se pensa neste momento, “que é o momento do futuro”, mas é presente porque a era da inteligência artificial já começou, que as pessoas são “seres que não terminam aqui”.
“Essa consciência de que somos feridos pelo infinito, de que não estamos sós, de que o invisível e a transcendência são dimensões do próprio caminho humano”, acrescentou, lembrando que “a vocação do homem é uma vocação sobrenatural”.
A primeira encíclica do atual pontificado, ‘Magnifica Humanitas’ (a magnífica humanidade), foi apresentada por Leão XIV há uma semana, no dia 25 de maio, no Vaticano, o Papa escreve sobre ‘a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial’.
O prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, que presidiu este domingo à celebração dos 50 anos das Equipas de Jovens de Nossa Senhora, em Santarém, destacou os “desafios concretos para o mundo da cultura”, sublinhando a “reflexão importantíssima” do Papa sobre os imaginários culturais no novo documento, porque “antes de chegar à transformação, chega um imaginário”, e “as grandes imagens” deste tempo “são distópicas”.
“Nós já vimos um terror tão disseminado nas imagens que temos culturalmente, que depois nada nos faz impressão. E o Santo Padre faz uma reflexão muito importante sobre o limite, o valor do limite: se nós não conhecemos o limite, não conhecemos também a liberdade da nossa magnífica humanidade”, indicou, observando que “pensar a raiz profunda dos imaginários humanos é uma tarefa para o dicastério”.

D. José Tolentino Mendonça também assinala que a ‘Magnifica Humanitas’ dedica “números importantes” à educação, outra área do dicastério, explicando que “é um campo onde as transformações estão e vão acontecer muito, mas que a pessoa humana não se pode substituir”.
“Nós não podemos pensar, por exemplo, que podemos educar sem pessoas, sem o contacto humano, que uma criança possa ser educada pela máquina. Nós não podemos substituir a pessoa humana no processo de transmissão. E, depois, um alerta que a encíclica deixa é a exposição precoce das crianças e dos jovens às redes sociais; é preciso proteger e é preciso preparar as crianças e os adolescentes para este mundo diversificado”, desenvolveu.
Segundo o colaborador do Papa, Leão XIV escreve também que “este é um dos momentos da história” em que não se pode “avançar sozinhos”, por isso, “também para a educação, o pacto educativo global é fundamental”, é também necessária uma educação para os “valores, sentimentos, ao sensível, à dimensão emocional”, e à construção da paz, “desarmada e desarmante”.
“A Igreja aparece como um parceiro do diálogo humano, ao serviço desse diálogo, para motivá-lo e para ajudar no aprofundamento desse diálogo. As reações à encíclica de todas as áreas – do mundo das universidades, academias, mas também do mundo político, da economia, o mundo da comunicação -, mostra bem como a Igreja é reconhecida como um parceiro que pode ajudar na reflexão ética, e antropológica deste momento.”
LS/CB/PR
