Tony Neves, em Roma

Estou convencido de que o mundo não é pequeno, a Missão é que é grande demais, sem fronteiras. Isto para mim foi mais claro depois do Encontro de Novos Superiores Espiritanos que teve lugar em Roma, de 24 de fevereiro a 6 de março.

Na última crónica, fiz o enquadramento e falei já do que partilharam os Provinciais de Angola, da Bolívia e do Brasil. Hoje apresentarei algumas partilhas vindas da República CentroAfricana, Congo Kinshasa, Etiópia, Irlanda, Madagáscar, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Filipinas, Portugal, Porto Rico /República Dominicana, África do Sul, Taiwan / Vietname /Índia e Zimbabwe.

O P. Blaise explicou bem o drama que se vive na República CentroAfricana, um país vítima de ataques constantes de grupos islâmicos radicais que semeiam o pânico e ferem a convivência entre crentes de várias Religiões. O P. Crispim Mbumba, que estudou no Porto, mostrou um rosto do Congo Kinshasa com as marcas de um povo que tem esperança no futuro, mas vive ainda muitas situações de instabilidade e injustiça que fazem temer piores dias. O P. Iede de Lange falou da Etiópia como terra de grande tradição cristã, onde os Espiritanos apostaram numa Missão com o carimbo do ecumenismo com a Igreja Ortodoxa. Hoje sentem-se empurrados para fora do país por leis que não facilitam a vida aos missionários estrangeiros, a não ser que trabalhem nas áreas da saúde e da educação. Os Espiritanos acabaram de assumir a capelania da União Africana. O P. Martin falou de uma Irlanda a arder, após bastantes casos antigos de pedofilia, drama que arrasou a imagem social da Igreja e prejudica muito o trabalho missionário neste país de longa tradição católica. De Madagáscar chegou o testemunho do P. Théodore, antigo missionário em Angola. Nesta Ilha do Índico, os Espiritanos trabalham com crianças de rua e investem muito numa evangelização que combate a corrupção e a injustiça no país. O P. Abbah veio do noroeste da Nigéria, país marcado por problemas de fundamentalismo religioso grave que tem gerado muitas mortes e fugas. Além da educação, os Espiritanos investiram num Centro de acolhimento e apoio a órfãos e crianças de Rua. O Paquistão tem sido marcado pela violência islâmica e pela intolerância religiosa. É neste contexto difícil que os Espiritanos trabalham, sempre ao serviço de etnias minoritárias e desprezadas, como contou o P. Jean Baptista Mugerwa. A realidade do Paraguai é marcada pela pobreza dos povos indígenas, com os quais os Espiritanos trabalham há meio século. Seja nas periferias da capital, seja no interior abandonado, a Missão está ‘pintada’ com as cores guaranis, segundo o P. Ruben Uscanga. Desafio enorme é-nos lançado pelas Filipinas, essa imensidade de Ilhas nos confins da Ásia. Ali, muitas vezes em contexto islâmico, os Missionários – de acordo com o P. Peter Mathew – investem numa evangelização que não esquece os hospitais, as prisões e o desenvolvimento dos mais vulneráveis. O P. Pedro Fernandes partilhou a missão que se faz em Portugal, quer através da presença em paróquias, quer na animação missionária e espiritual que se faz com jovens e adultos, sem esquecer o trabalho com imigrantes, reclusos, idosos e doentes. E, sobretudo, insistiu na força da Missão que se faz fora de portas com os missionários enviados e os apoios a projectos de pastoral e de desenvolvimento. O P. Canice Njoku apresentou a missão espiritana em Porto Rico e na República Dominicana, apoiando os mais pobres e excluídos destes países das Caraíbas que apostam tudo – ou quase – no turismo. A África do Sul ainda vive as fracturas criadas pelo apartheid e continua gritante o fosso entre ricos e pobres, gerador de ondas de violência quase incontroláveis. É lá – disse o P. Peter Sodje –que a Missão Espiritana se compromete. O P. Sean O’Leary veio do oriente da Ásia para partilhar os desafios a que os Espiritanos respondem em três países muito diferentes. Em Taiwan, a aposta vai para as paróquias, a universidade e a pastoral prisional. No Vietname, o grande desafio é a formação dos futuros missionários. Na Índia, onde obter um visto é quase missão impossível, quer-se ir mais longe na evangelização e apoio aos que a sociedade despreza e desconsidera. Finalmente, no Zimbabwe, os Espiritanos têm sofrido na pele os dramas de um povo economicamente arrasado e socialmente dividido.  Vivem em comunidades internacionais e colaboram muito com a Igreja local.

Se fosse possível resumir o que foi dito nestes dias em Roma, apontaria para duas curtas conclusões: a Missão é enorme para as forças disponíveis; a Fé e a Confiança em Deus vai ajudar a deitar abaixo todas as barreiras e limites.

A Missão é do Espírito Santo. Ele vai assegurar o futuro!

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