Tony Neves, em Roma

As Jornadas Mundiais da Juventude também correm ao ritmo e ao sabor da covid, tal o impacto da pandemia nas nossas vidas e no nosso mundo. Era para ser em 2022 e já foi adiada para 23. No Panamá, no fim das últimas JMJ, foi gritado o nome de Portugal (e de Lisboa) como próximo organizador e local de acolhimento. Até aí, nada de especial. Depois, veio a covid e, com ela, as angústias e complicações que levaram a tomar decisões difíceis.

A Praça de S. Pedro devia encher-se de largos milhares de jovens (e menos jovens), no Domingo de Ramos, para a cerimónia da entrega a Portugal dos grandes símbolos das JMJ: a Cruz e o Ícone. Uma vez recebidos das mãos do Papa, eles deveriam dar a volta a Portugal, passar de comunidade em comunidade para proporcionar oração, reflexão e compromisso, ajudando assim a preparar bem o momento alto das Jornadas, a realizar em Lisboa. Milhares de jovens portugueses se inscreveram e prepararam a sua viagem-peregrinação a Roma, mas tudo o coronavírus deitou por terra. O momento não se perdeu porque o Cardeal Tolentino Mendonça mandou pela internet a conferência que preparara para fazer aos jovens em Roma. ‘Jovem, Eu te digo, levanta-te!’ é um texto que é um grito de convocatória à coragem e à missão. O Cardeal Tolentino apela ao estilo de Jesus, ao assumir a sua forma de ser, estar e intervir, sempre com compaixão, sobretudo para com os mais descartados das nossas sociedades, derrubando a ditadura da indiferença. Aos atropelos que a covid faz (‘a pandemia, a quarentena, os vários confinamentos, a vida suspensa, as horas passadas no zoom, as igrejas fechadas, as celebrações por streaming, a solidão, a dor e a morte’), Cristo contrapõe o serviço aos outros que se mede pelo amor. Como pede o Papa, não há que ter medo de gastar a vida pelos outros, ‘dizer sim ao amor, sem ses nem mas’. O convite final do Cardeal é simples, mas directo: ‘não deixem o vosso coração prisioneiro do confinamento!’.

E de adiamento em adiamento, ninguém atirou a toalha ao chão e, com uma Carta do Presidente da República na bagagem, veio a Roma um grupo simbólico para receber, na Solenidade de Cristo Rei (22.11.20), os símbolos da JMJ. Apesar dos constrangimentos legais, a delegação portuguesa viveu dois grandes momentos na Cidade Eterna. O sábado teve como epicentro a Igreja de S. António dos Portugueses. Ali, o Cardeal Tolentino fez uma conferência onde percorreu o caminho das JMJ desde Roma (1986) ao Panamá (2019), reflectindo depois sobre o tema de Lisboa 2023. Maria tem pressa de fazer a experiência concreta do ‘sim’ que deu a Deus através do Anjo. Por isso parte até à casa da prima Isabel. Também pela mesma razão, o Papa Francisco disse aos jovens que eles não podem ser cristãos de bancada ou de sofá, não se pode passar a vida diante de um ecrã. ‘Temos que viver dando vida, servindo os irmãos’ – concluiu.

  1. Manuel Clemente presidiu à Eucaristia, no dia da Apresentação de Maria, lembrando que nós todos – como a Mãe – nos apresentamos ao serviço, disponíveis para cumprir a nossa Missão.

A Basílica de S. Pedro acolheu, no domingo, uma simbólica delegação de jovens de Portugal para que, diante do Papa, os jovens do Panamá entregassem a Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora que, por iniciativa de João Paulo II, têm percorrido o mundo na preparação, mobilização e vivência das Jornadas Mundiais da Juventude.

Na Eucaristia, o Papa Francisco multiplicou apelos ao compromisso missionário dos jovens. Refletindo sobre a parábola do juízo definitivo, o Papa lembrou que Cristo grita: ‘Eu estou aqui… em cada pobre!’. São as obras de misericórdia que tornam eterna a nossa vida. Ser bom ou mal depende de nós e Deus respeita as nossas escolhas. É preciso passar da pergunta ‘porquê vivo?’ a ‘para quem vivo?’. Dirigindo-se aos jovens, o Papa disse que devíamos pensar mais em fazer bem do que em estar bem. Pois, assim, estaríamos sempre melhor! Terminou com um desafio à luta contra o ‘usa e deita fora’ e o querer ‘tudo e imediatamente’. ‘Escolhas grandes – lembrou o Papa Francisco – tornam grande a vida’.

A Praça de S. Pedro rezou, com o Papa à janela, o ‘Angelus’. Viam-se bandeiras e jovens de Portugal . Na sua intervenção, o Papa Francisco pediu para trocarmos a lógica da indiferença pela da proximidade aos que mais sofrem.

Para D. Américo Aguiar (coordenador Geral das JMJ) e Duarte Ricciardi, (secretário-executivo), esta peregrinação a Roma foi um grande ‘pontapé de saída’. O jogo já começou, a bola já rola. Lisboa 2023 é um sonho que, bem depressa se tornará realidade. Para lá corremos ‘apressadamente’…

 

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