Tony Neves, em Netia

Foi aqui…há 25 anos, numa tarde de Novembro! Três Missionários, vindos de Portugal, Angola e Nigéria, chegaram à Missão de Netia, aqui nestes interiores de Nacala, já no caminho para as terras de Cabo Delgado. Nesse mesmo ano de 1996, outra equipa de Missionários Espiritanos chegaram a Inhazónia, Diocese do Chimoio, na fronteira com o Zimbabué. Assim, com esta opção clara por comunidades pobres, começou a aventura Espiritana por terras de Moçambique.

Os tempos passaram e a presença aumentou: abriram-se Comunidades na Beira, em Nampula e, este ano, em Maputo, com o assumir da responsabilidade de direcção do Seminário InterDiocesano de S. Agostinho, na Matola.

Carapira, no corredor Nampula-Nacala é, desde há muito uma missão emblemática, fundada pela família Comboniana. Ali funciona o Centro Catequético Diocesano, onde os Espiritanos decidiram fazer o seu III Capítulo. Todos os caminhos de Moçambique ali foram dar durante a semana de 19 a 26 de Junho. De fora, vieram missionários de Portugal, Angola, Irlanda e Roma, incluindo o P. Alain Mayama, o Superior Geral da Congregação. Os trabalhos decorreram com normalidade e terminaram em festa, com a celebração do Jubileu de Prata, realizado na Missão de Netia, confiada aos Espiritanos de 1996 a 2004, data da partida dos missionários para a fundação de Itoculo, numa área ainda mais interior, destacada da Missão de Netia.

O P. António Gasolina, 0 actual pároco, organizou o jubileu. Tudo começou com a Missa paroquial às 8h da manhã com a Igreja a abarrotar de povo, que cantou e dançou toda a celebração. Presidiu o Superior Geral que convidou dois dos ‘fundadores’, os Padres Alberto Tchindemba e Pedro Fernandes, a fazer a homilia e o momento de ação de graças. O P. Gasolina evocou o testemunho forte que herdou dos Espiritanos quando ali chegou, falando do investimento na formação dos leigos, a quem foram confiadas importantes responsabilidades pastorais. Segundo o pároco, natural destas paragens, os Espiritanos foram pioneiros nesta dinâmica de sinodalidade para que o Papa Francisco está a tentar empurrar a Igreja no seu todo. Falou ainda na aposta na Educação, com o projecto das Escolinhas. Lembrou a resistência  inicial que algumas famílias fizeram ao projecto, estando agora felizes porque os seus filhos e filhas puderam prosseguir estudos e abrir caminhos de futuro.

O P. Alain Mayama, no momento da ação de graças, juntou-se à festa da dança, acompanhando uma assembleia feliz nesta celebração jubilar. Na homilia, o P. Pedro recordou a Missão em Netia que foi a primeira experiência de ministério sacerdotal, que o marcou para toda a vida. E evocou muitos homens e mulheres desta paróquia que se empenharam de alma e coração para avançar com o projecto missionário numa área com pouca prática cristã.

No fim da Missa, o povo juntou-se aos numerosos Missionários para uma foto que fica para a posteridade. A alegria era visível nestes rostos felizes. O P. Gasolina mostrou aos missionários o novo Instituto Politécnico Familiar Rural de Natete – Netia onde dezenas de jovens aprendem as artes da agricultura e pecuária. Também nos fez visitar o novo Centro Pastoral João Paulo II que o ciclone Gombe, em Março, fez ir pelo ar o telhado, estando agora em reconstrução. Ali seria servido um almoço fraterno, contando com a presença de alguns dos líderes laicais dos tempos da presença Espiritana.

25 anos depois, o balanço é positivo, mas os desafios continuam enormes. A Igreja local está a crescer num tempo de muitas vocações sacerdotais, e este é sempre um sinal de esperança e abertura ao futuro. Mas o desenvolvimento do país continua lento e, sobretudo, nas comunidades do interior, não há acessos, a escola funciona mal e o emprego qualificado não existe. Para complicar a vida, aumentam de número e intensidade os ciclones que levam tudo pelo ar, como aconteceu neste corredor Nampula-Nacala com o Gombe.

Regresso agora a Nampula e Maputo, mas voltarei a falar deste país e deste povo, com muitos desafios para a Igreja. Há muito futuro por estas terras.

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