Tony Neves, em Bagamoyo

O XXI Capítulo Geral dos Espiritanos abriu as portas em Bagamoyo, na Tanzânia a 3 de Outubro. A conclusão será a 24. São três semanas de intenso trabalho, repartidas por tempos de oração, debate, formação, partilha, trabalhos de grupos, conferências e momentos de pura fraternidade e distensão, estando o quente Oceano Índico a 50 metros da Sala Capitular!

Tudo começou com um dia de Retiro Espiritual. Depois, o Superior Geral, P. John Fogarty, presidiu à celebração de abertura, lançando os trabalhos.

A apresentação dos Relatórios permitiu avaliar os últimos nove anos de Missão Espiritana, realizada nos 60 países onde os missionários vivem e trabalham.

O debate avançou com os grandes temas da Missão: a Missão no mundo contemporâneo, os compromissos de justiça, paz e integridade da criação, o diálogo inter Religioso, o desenvolvimento integral, a Espiritualidade para a missão contemporânea, a formação inicial e permanente dos Espiritanos…São os grandes temas que constam nos relatórios e que obrigarão os capitulantes a avaliar e rasgar novos caminhos para o futuro da Missão.

Este domingo foi solene, vivo e especial. Tivemos uma Missa Campal, quase toda cantada e dançada ao ritmo kishwaili, a língua-mãe de boa parte da África de Leste. Apesar das restrições sanitárias, a Missa foi celebrada com a presença de diversos Bispos Tanzanianos. Presidiu o Arcebispo de Dar-Es-Salam, D. Jude Thaddeus Ruwaichi. Algumas meninas do Marian Girls Secondary School, um Colégio Espiritano que, aqui em Bagamoyo, acolhe mais de mil adolescentes, animaram um alegre e vibrante coro que tornou viva a celebração.

Na homilia, D. Jude Thaddeus lembrou que Bagamoyo é um lugar especial para a evangelização da parte continental da Tanzânia e toda a África de Leste. E as comunidades cristãs cheias de vigor que têm hoje existem graças ao esforço e ao sacrifício, não raro da própria vida, dos Espiritanos que foram os primeiros a trazer o Evangelho a esta parte do mundo. D. Jude Thaddeus, numa curta mas incisiva homilia, lançou desafios e alertas que podem ajudar os Espiritanos a refletir e a melhor viver com mais e melhor compromisso a sua missão de consagrados.

Marcante foi também a intervenção, por zoom, do P. Michael McCabe, SMA (Sociedade das Missões Africanas). Especialista em missiologia, ele falou sobre os Desafios Missionários no nosso Tempo. Começou por chamar a atenção para a mudança de paradigma e de conceito de missão ocorrida nos últimos 70 anos. Até meados do século XX a missão estava centrada na Igreja, sendo a sua expansão um objetivo muito claro. Este tipo de ação missionária foi bem sucedido, e isso é evidente na vitalidade das Igrejas locais em África, por exemplo. Mas agora a prática tem que ser outra.

A partir do Vaticano II, descobrimos que a Igreja não deve TER uma missão, mas SER missão! E a iniciativa da mesma é sempre de Deus. Um Deus que se esvazia, que se entrega ao mundo até ao extremo da cruz. É neste movimento que a Igreja se deve inscrever: não agindo por si, mas colaborando com Deus que se encontra a agir desde os primeiros “nanossegundos” da sua maravilhosa criação.

O padre Michael insistiu muito na ideia, cara ao Papa Francisco, de que a Igreja deve estar permanentemente em saída, sem medo dos riscos de se ferir e sujar, promovendo um planeta mais saudável, tanto no que diz respeito às questões ambientais e climatéricas, mas também no que diz respeito à luta por uma humanidade mais fraterna, mais justa, mais próxima de Deus. Esta é uma tarefa que deve mobilizar todos e cada membro da Igreja, que se quer sinodal. Mas também deve unir-se a muitos irmãos e irmãs ligados a organismos da sociedade que, embora não comungando o mesmo credo que nós, lutam autenticamente por uma nova criação e novos céus.

O Capítulo Geral começa a redigir documentos e prepara-se para, no inicio da próxima semana, eleger o novo Superior Geral e seu Conselho.

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