Tony Neves, em quarentena, em Roma

A liderança exige competência. Nunca me esqueço o que ensinava o Professor Adriano Moreira na cadeira de Relações Internacionais. Dizia que os governos precisam de garantir duas legitimidades: a de origem (eleição e nomeação) e a do exercício (a forma como governam). Muitas vezes, também na Igreja, não falta a legitimidade de origem (pois os responsáveis foram eleitos e/ou nomeados), mas deitamos tudo a perder com a forma como se exercem as missões e responsabilidades que foram confiadas. É verdade que se cometem erros graves por maldade e má fé. Mas, na maioria dos casos, os erros mais grosseiros são resultado de incompetência e falta de capacitação.

Esta é talvez a razão principal porque os novos Bispos são chamados ao Vaticano para fazer uma espécie de curso de iniciação ao ministério episcopal. Pela mesma razão, os Superiores Maiores dos Espiritanos são chamados a Roma, à Casa Geral, para uma formação sobre liderança, a que se decidiu chamar ‘Encontro dos Novos Superiores’. O último acaba de acontecer.

Não há segredos quanto às temáticas abordadas: apresentação de cada país presente; liderança e animação; processos canónicos; justiça, paz e integridade da criação; Diálogo InterReligioso; nomeações missionárias; questões de desenvolvimento e solidariedade; finanças; salvaguarda de menores e adultos vulneráveis; formação para a Missão; situações irregulares; Missão partilhada com leigos. Sobretudo, muito tempo para rezar, partilhar, confraternizar, pois os Espiritanos são 3 mil em mais de 60 países e há muita riqueza a partilhar, bem como muitos dramas a tentar resolver.

Devo confessar que o melhor deste encontro foram as partilhas do que se vai fazendo por esse mundo além. Estiveram presentes os Superiores recém-eleitos de Angola, Bolívia, Brasil, África Central, Congo Kinshasa, Etiópia, Irlanda, Madagáscar, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Filipinas, Portugal, Porto Rico /República Dominicana, África do Sul, Taiwan / Vietname /Índia e Zimbabwe. Passaram, assim, por este encontro a vida e a missão espiritana que vai acontecendo em vinte países espalhados pelo mundo.

Vou partilhar a visita guiada que cada um dos novos Superiores nos fez. O P. Gaudêncio, Provincial de Angola, apresentou um país em mudanças profundas. Os Espiritanos estão presentes em boa parte das dioceses e sentem o desafio de ajudar a combater a corrupção e a desenvolver o país, sempre ao lado dos mais pobres que ainda não se conseguiram levantar depois de uma guerra civil muito cruel. Têm muitos candidatos a Espiritanos e, sobretudo, mostram um rosto internacional, com membros de 15 países diferentes.

A Bolívia é um jovem grupo com um Superior português: o P. Márcio Asseiro. O país está em crise política, tendo o seu presidente abandonado a Bolívia, após eleições consideradas fraudulentas pela oposição que agora governa. As populações são pobres e o narcotráfico é forte. Os Espiritanos fazem caminho com o povo nas periferias difíceis de Santa Cruz de la Sierra e no meio rural em Buenavista, uma antiga Missão dos jesuítas. O grupo não tem nem missionários suficientes nem condições financeiras para a autossustentabilidade. Mas é jovem e está do lado dos mais pobres.

O Brasil é um continente e, por isso, tem quatro grupos Espiritanos. Dois deles estiveram em Roma representados. A Província do Brasil, com o P. Leonardo Silva, debate-se com o tamanho do país, a falta de missionários e a urgência de continuar a lutar ao lado dos mais fragilizados por governos que não cuidam dos mais pobres. O Grupo do Brasil Sudoeste, com o P. Brendan Folley, continua a sua aposta na pastoral das grandes favelas de S. Paulo. Pude visita-los na Vila Prudente e nos Perus, lá onde a pobreza é extrema e a violência incontrolável. Mas também investem muito na formação dos jovens, com a direcção do Centro de Capacitação Juvenil, com sede em S. Paulo.

Na próxima crónica, partilharei a riqueza da missão espiritana que se vive, dia após dia, na África Central, Congo Kinshasa, Etiópia, Irlanda, Madagáscar, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Filipinas, Portugal, Porto Rico /República Dominicana, África do Sul, Taiwan / Vietname /Índia e Zimbabwe.

A Missão tem o tamanho do mundo.

 

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