Tony Neves, em Roma

O Papa Francisco reuniu os diplomatas para os saudar.  Convidou-os a saber esperar, atitude que exige realismo e coragem: ‘exige que se chamem os problemas pelo nome e se tenha a coragem de enfrentá-los. Exige não esquecer que a comunidade humana traz consigo os sinais e feridas das guerras que têm vindo a suceder-se com crescente capacidade destruidora ao longo do tempo e não cessam de atingir especialmente os mais pobres e os mais frágeis. Infelizmente, o novo ano aparece-nos constelado não tanto de sinais encorajadores, como sobretudo duma intensificação de tensões e violências’.

Explicou-lhe a Missão da Igreja na relação com os governos do mundo: ‘Com efeito, a paz e o desenvolvimento humano integral são o objetivo principal da Santa Sé no campo do seu empenho diplomático’.

Neste início de década, o Papa decidiu partilhar com os diplomatas as viagens apostólicas que fez ou provocou: foi ao Panamá para as Jornadas Mundiais da Juventude; convocou Bispos do mundo inteiro a Roma por causa das questões graves dos abusos sexuais. O Papa aproveitou para recordar que está marcado para 14 de maio um encontro mundial sobre educação, com o tema ‘reconstruir o pacto educativo global’ em defesa do futuro das novas gerações, sem esquecer o cuidado da casa comum, através de uma conversão ecológica global.

Sobre a urgência de uma conversão ecológica global, o Papa lembrou a Conferência de Madrid sobre as Alterações Climáticas (COP 25) onde a Igreja se empenhou e percebeu a dificuldade dos governos em colocar o bem comum acima dos interesses particulares.

Acontecimento grande foi o Sínodo sobre a Amazónia, cruzando a missão pastoral da Igreja com a questão ecológica e todas as outras as crises e conflitos políticos e sociais que vitimam os mais pobres em muitos países da América Latina.

O Papa visitou também os Emirados Árabes Unidos onde, em Abu Dhabi  assinou, com Ahmad Al-Tayyeb, o Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum: ‘trata-se de um texto importante, que visa favorecer a mútua compreensão entre cristãos e muçulmanos e a convivência em sociedades que se vão tornando cada vez mais multiétnicas e multiculturais’. Na mesma linha se situou a visita a Marrocos.

O papa mostrou a sua preocupação com a crescente tensão entre os EUA e o Irão, a crise no Iémen e na Líbia e o drama dos migrantes que tentam atravessar o Mediterrâneo. Francisco partilhou ainda a sua visita à Bulgária, Macedónia do Norte e Roménia. Recordando o incêndio da Notre Dame, o Papa pediu mais solidariedade e mais atenção à história deste continente com raízes cristãs. Por fim, evocou os 30 anos da queda do Muro de Berlim com todas as implicações que tal evento trouxe à escala do mundo.

Ao referia a viagem feita a Moçambique, Madagáscar e Ilha Maurícia, o Papa chamou a atenção das dificuldades que o continente enfrenta em diversos países, apesar dos sinais de paz e reconciliação que se veem em alguns deles. Citou o Burkina Faso, Mali, Níger e Nigéria como países onde se verificam ‘episódios de violência contra pessoas inocentes, entre as quais muitos cristãos perseguidos e mortos pela sua fidelidade ao Evangelho’.

A última viagem foi ao Japão e Tailândia, em nome da paz e do diálogo entre religiões e culturas. No Japão, o Papa defendeu que um ‘mundo sem armas nucleares é possível e necessário’.

Neste 2020, o Papa aponta baterias para a celebração dos 75 anos da fundação da ONU. Disse: ‘os princípios fundantes da Organização – o desejo de paz, a busca da justiça, o respeito pela dignidade da pessoa, a cooperação humanitária e a assistência – traduzem as justas aspirações do espírito humano e constituem os ideais que deveriam guiar as relações internacionais’.

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