Tony Neves, em Roma

A tradição veio para ficar e, de 18 a 25 de janeiro, boa parte do mundo cristão celebra a Semana da Unidade. Este 2021, com a pandemia, impedirá os grandes momentos de encontro e celebração que, ano após ano, marcam esta Semana Ecuménica mundial. Mas, avaliados os riscos e cumpridas as leis, haverá formas de viver este ecumenismo que cresce e toma conta das agendas dos cristãos.

A primeira intervenção da covid na dinâmica ecuménica em Portugal aconteceu em novembro. Devia realizar-se o XXI Fórum Ecuménico Jovem (FEJ2020) de forma presencial, como aconteceu com as 20 edições anteriores, desde o seu lançamento em 1999. Mas veio a pandemia e obrigou a refazer o programa. Assim, de um dia passou para uma semana e do presencial transformou-se em online. ‘Pelo Amor (re) conhecerão que sois meus discípulos’ (Jo 13,15) foi o tema que mobilizou jovens e menos jovens de 2 a 7 de novembro. Fechou-se uma janela, abriu-se uma porta e nada impedirá a progressão no caminho da unidade dos cristãos. Houve, via internet, momentos de oração, louvor, conversas, workshops, reflexões bíblicas, testemunhos…sobre a importância do Amar.

Os departamentos de Ecumenismo do Conselho Mundial das Igrejas e da Igreja Católica pedem sempre a uma Comunidade a elaboração do Guião para a Semana da Unidade. Escolheu-se um tema (‘Permanecei no meu Amor e produzireis muitos frutos’ (cf.João 15,5-9) e prepararam-se reflexões e propostas de Oração para toda a semana. Desta feita, o guião foi confiado à Comunidade das Monjas de Grandchamp, na Suíça. São cerca de 50 mulheres de diferentes gerações, tradições eclesiais, países e continentes. Por isso, esta diversidade é uma parábola viva de comunhão. Apostam na vida de oração, na vida em comunidade e no compromisso pela unidade dos cristãos e pela justiça na terra.

A parábola da videira e dos ramos ilumina esta Semana da Unidade. As Monjas construíram o Guião a partir da convicção de que a comunhão com Cristo exige comunhão com os outros pois, permanecendo n’Ele, fonte de todo o amor, o fruto da comunhão cresce.

Dizem as Monjas: ‘Espiritualidade e solidariedade estão inseparavelmente ligadas. Permanecendo em Cristo, recebemos a força e a sabedoria para agir contra as estruturas de injustiça e opressão, para nos reconhecer por completo como irmãos e irmãs na humanidade, e para sermos criadores de um novo modo de vida, com respeito e comunhão para toda a criação’.

As Monjas propõem um roteiro para cada dia, a partir de extractos desta parábola bíblica. Há também a proposta habitual para uma Celebração Ecuménica que, em tempos ‘normais’, se realizaria em muitos lugares, congregando as pessoas de diferentes Igrejas para se conhecerem melhor, reflectir em conjunto e rezar pela unidade. Neste 2021, a maioria destes encontros e celebrações irão acontecer online.

O Conselho Pontifical para a Promoção da Unidade dos Cristãos, em Roma, publicou um longo documento dirigido aos Bispos Católicos, com orientações concretas sobre o Ecumenismo. Começa por dizer que este compromisso não é opcional mas uma obrigação, dada a sua importância. Cita o Papa Francisco que diz: ‘andar juntos, rezar juntos, trabalhar juntos’ é o caminho ecuménico a percorrer, porque é muito mais o que une os cristãos do que aquilo que os separa. Por isso, cada conferência episcopal, cada diocese e até cada paróquia deveria ter uma comissão ecuménica ou, pelo menos, um delegado para estas questões. Todos os cursos de Teologia (para formar futuros padres, religiosos e leigos) terão uma cadeira sobre Ecumenismo e aos seminaristas deve ser dada a oportunidade de realizar, durante os estudos, uma experiência ecuménica. Deseja-se um investimento maior no ‘Ecumenismo Espiritual’ (rezar juntos), no ‘diálogo da caridade’ (cultivando o encontro e a partilha), no ‘diálogo da verdade’ (procurando-a juntos) e no ‘diálogo da vida’ (trabalhando juntos pelas grandes causas).

Tudo isto para se cumprir a vontade de Cristo que quer que haja um só rebanho e um só Pastor.

 

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