Londres: D. Nuno Brás presidiu à Festa de Nossa Senhora de Fátima, lembrando-a como aquela que acolheu a Palavra de Deus e a colocou em prática

Bispo do Funchal celebrou Eucaristia com a comunidade portuguesa emigrante

Foto: Eugénio Perregil

Londres, 05 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal presidiu este sábado à celebração da Festa de Nossa Senhora de Fátima, na igreja dos Padres Scalabrinianos, em Londres (Inglaterra), lembrando a Virgem como aquela que acolheu a Palavra de Deus e a concretizou.

“Qual foi a mensagem de Nossa Senhora? É ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática”, disse D. Nuno Brás, na homilia, citado pelo ‘Jornal da Madeira’, junto da comunidade portuguesa emigrante, salientando que a aparição de 1917 deve ser lida, antes de tudo, como um apelo evangélico.

Segundo o bispo, Nossa Senhora veio, antes de mais nada, recordar o Evangelho em Fátima, isto é lembrar Jesus Cristo, “num tempo em que os homens andavam em guerra” e em que muitos se tinham esquecido da sua identidade cristã.

“Como nós nos esquecemos tantas vezes do Evangelho, como nós nos esquecemos tantas vezes de Jesus Cristo? Como nós nos esquecemos tantas vezes que somos cristãos e vivemos como os outros”, questionou.

De acordo com D. Nuno Brás, a festa de Nossa Senhora de Fátima deve ajudar cada cristão a regressar ao essencial.

A homilia centrou-se também na conversão, tendo o bispo do Funchal recordado que o pecado não é motivo de desânimo, mas condição para acolher a salvação.

“Onde é que nós vamos buscar força para sermos melhores?”, perguntou, acrescentando que a resposta está na oração, entendida como “aquela conversa com Jesus Cristo, aquela conversa com o Senhor”.

Na intervenção, o bispo abordou também as exigências difíceis do Evangelho, como amar os inimigos.

“Nosso Senhor não nos diz para esquecer. Nosso Senhor não nos diz para gostarmos daquilo que nos fizeram. Aquilo que nosso Senhor nos diz é para amarmos aqueles que se portaram mal connosco”, disse.

“Amar é querer bem ao outro. Ou seja, ele fez-me mal, mas eu quero-lhe bem. Ele portou-se mal comigo. Não faz mal, mas eu quero portar-me bem com ele. Isso é amar”, frisou D. Nuno Brás.

Na parte final da homilia, o bispo do Funchal refletiu sobre a penitência e a reparação, dois temas associados à mensagem de Fátima.

“Penitência significa fazermos coisas boas, não apenas por nós, mas pelos outros também”, indicou.

Para D. Nuno Brás, num mundo marcado por violência, divisão e sofrimento, os cristãos são chamados a colaborar na construção de uma realidade melhor.

“O mundo está cheio de quem faça coisas más e nós precisamos de equilibrar. O mundo está cheio de quem não reza e nós precisamos de rezar por nós e pelos outros”, defendeu.

Aludindo à reparação, o bispo assinalou que ninguém pode mudar o mundo sozinho, mas que todos podem ajudá-lo a reparar.

O bispo finalizou a homilia com um apelo à coerência entre a devoção mariana e a vida cristã.

“Vivamos do Evangelho. Reconheçamos que precisamos de nos converter. Reconheçamos que precisamos de rezar. Ajudemos o mundo a ser melhor”, exortou.

D. Nuno Brás pediu que a devoção a Maria se traduza numa transformação concreta da vida e do ambiente à volta de cada pessoa.

A propósito da visita à comunidade portuguesa em Londres, o bispo ofereceu uma imagem de Nossa Senhora do Monte, sinal da ligação dos emigrantes madeirenses à padroeira da Madeira e da proximidade da Diocese do Funchal aos seus fiéis espalhados pelo mundo.

LJ/OC

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