Liturgia: Igreja celebra «Semana Maior», rumo à Páscoa

Domingo de Ramos inicia percurso central do ano litúrgico

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 01 abr 2023 (Ecclesia) – A Igreja Católica vai iniciar este domingo, com a celebração dos Ramos, a Semana Santa, momentos centrais do ano litúrgico que, nas igrejas e nas ruas, recordam os momentos da Paixão de Jesus.

A celebração dos últimos dias da vida de Cristo começa pela evocação da sua entrada messiânica em Jerusalém e a bênção dos ramos.

O padre Armindo dos Santos Vaz, biblista, fala numa “síntese concentrada” da vida de Jesus, que, com o seu ensinamento, atingia “o poder estabelecido”.

“Com a sua entrada em Jerusalém, Jesus poderia supor que viria a ser agredido vitalmente: pela forma como falava, pelos conteúdos que comunicava, e também pelos seus gestos, gerava muitos anticorpos”, destaca o religioso da congregação dos Carmelitas Descalços.

O autor da obra ‘O Poder da Palavra na Vida’ refere à Agência ECCLESIA que toda  a Semana Santa “aponta para o mistério pascal, que tem como grande símbolo a Cruz”.

No início da vida cristã encontra-se o domingo como única festa, com a única denominação de “Dia do Senhor”; por influência das comunidades cristãs provenientes do judaísmo, surgiu depois um “grande domingo”, como celebração anual da Páscoa.

A partir do séc. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos cristãos, começaram a celebrar-se na Terra Santa os acontecimentos da Paixão e morte de Jesus Cristo, nos locais e às horas em que eram relatados nos Evangelhos.

Na Idade Média, esta semana era chamada a “semana dolorosa”, porque a Paixão de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspetos do sofrimento e da paixão; muitas igrejas locais dão ainda vida a essa tradição dramática, que se desenrola em procissões e representações dos momentos da prisão, julgamento e crucifixão de Jesus Cristo.

Os momentos centrais da Semana Santa começam na quinta-feira, dia em que se celebram a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor.

A manhã é preenchida pela Missa Crismal, que reúne em torno do bispo o clero da Diocese, na qual são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o santo óleo do crisma.

Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor: é comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés); no final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares.

Na Sexta-feira Santa não se celebra a Missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor, com a adoração da cruz; o silêncio, o jejum e a oração marcam este dia.

O Sábado Santo é dia alitúrgico: a Igreja debruça-se, no silêncio e na meditação, sobre o sepulcro do Senhor e a única celebração primitiva parece ter sido o jejum.

A Vigília Pascal é a “mãe de todas as celebrações” da Igreja, evocando a Ressurreição de Cristo.

Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo, por fim, a liturgia Eucarística.

PR/OC

 

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