Após ter sido suspenso nos últimos dois anos, regressa o Compasso, com indicações da Conferência Episcopal Portuguesa

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 10 abr 2022 (Ecclesia) – A Igreja Católica inicia hoje, com o Domingo de Ramos, a celebração da Semana Santa, os momentos centrais do ano litúrgico que, nas igrejas e nas ruas, recordam os momentos da Paixão de Jesus.

A celebração dos últimos dias da vida de Cristo começa pela evocação da sua entrada messiânica em Jerusalém e a bênção dos ramos.

No início da vida cristã encontra-se o Domingo como única festa, com a única denominação de “Dia do Senhor”; por influência das comunidades cristãs provenientes do judaísmo, surgiu depois um “grande Domingo”, como celebração anual da Páscoa.

A partir do séc. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos cristãos, começaram a celebrar-se na Terra Santa os acontecimentos da Paixão e morte de Jesus Cristo, nos locais e às horas em que eram relatados nos Evangelhos.

Na Idade Média, esta semana era chamada a “semana dolorosa”, porque a Paixão de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspetos do sofrimento e da paixão; muitas igrejas locais dão ainda vida a essa tradição dramática, que se desenrola em procissões e representações dos momentos da prisão, julgamento e crucifixão de Jesus Cristo.

Os momentos centrais da Semana Santa começam na quinta-feira, dia em que se celebram a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor, que este ano é também o dia escolhido pela Conferência Episcopal para entrar em vigor nova tradução do Missal Romano em português.

A manhã é preenchida pela Missa Crismal, que reúne em torno do bispo o clero da Diocese, na qual são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o santo óleo do crisma.

Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor: é comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés).

No final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares.

Na Sexta-feira Santa não se celebra a Missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor, com a adoração da cruz; o silêncio, o jejum e a oração marcam este dia.

“No rito de adoração da cruz na Sexta-feira Santa, deve omitir-se o beijo na cruz, substituindo-o pela genuflexão ou inclinação; pode-se retomar a visita pascal, omitindo-se o beijo à cruz”, indica a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP)

O Sábado Santo é dia alitúrgico: a Igreja debruça-se, no silêncio e na meditação, sobre o sepulcro do Senhor e a única celebração primitiva parece ter sido o jejum.

A Vigília Pascal é a “mãe de todas as celebrações” da Igreja, evocando a Ressurreição de Cristo.

Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo, por fim, a liturgia Eucarística.

Para o Domingo de Páscoa, a Secretariado Geral da CEP anunciou a possibilidade de se realizar a tradicional visita pascal, suspensa desde 2020, alertando para os cuidados necessários no atual contexto de pandemia, que “infelizmente, ainda permanece”.

“O guia do grupo dirigirá uma breve oração com a família reunida, terminada a qual os membros desta são convidados a venerar a Cruz com uma vénia ou outro gesto que não implique contacto físico”, indica o texto, desaconselhando, portanto, o habitual beijo ao crucifixo, no contexto do anúncio da ressurreição de Jesus.

O organismo da CEP aponta ao uso de máscara pelos membros do grupo paroquial designado para o anúncio pascal, dentro das casas e na via pública, se houver ajuntamentos.

Quanto às famílias, pede-se que não partilhem alimentos com os membros do grupo dos mensageiros da Páscoa, ainda que tenham a mesa posta.

“A partilha de alimentos deve restringir-se aos membros da família e, por isso, só se fará após a partida dos visitadores; de facto, o comer em conjunto implica retirar a máscara aumentando, assim, o risco de eventuais contágios”, precisam as orientações, enviadas à Agência ECCLESIA.

O texto pede ainda que se proceda à higienização das mãos “sempre que haja contacto físico com pessoas ou coisas”.

As orientações podem ser adaptadas à realidade local por cada bispo diocesano, acrescenta o comunicado da CEP.

OC/PR

Páscoa: Igreja deixa orientações para o «Compasso», omitindo beijo à Cruz

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