Lisboa: Patriarca recorda vítimas do acidente do Elevador da Glória e pede responsabilidade

«Que a memória deste lugar se transforme em compromisso» – D. Rui Valério

Foto: Câmara Municipal de Lisboa

Lisboa, 03 set 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa rezou hoje junto ao novo memorial às vítimas do acidente do Elevador da Glória, pedindo que a tragédia deixe lições de responsabilidade e atenção ao outro.

“Que a memória deste lugar se transforme em compromisso. Que a recordação daqueles que perderam a vida nos ensine a reconhecer de novo quanto cada existência humana é preciosa”, disse D. Rui Valério, no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória.

“Que nos torne mais atentos uns aos outros, mais responsáveis, mais capazes de prevenir, de proteger e de cuidar. Que nenhuma preocupação, interesse ou urgência alguma vez nos faça esquecer que a pessoa humana deve permanecer no centro de tudo aquilo que construímos”, acrescentou o responsável católico, que participou na cerimónia de inauguração promovida pela Câmara Municipal de Lisboa.

O momento integrou a bênção de uma oliveira secular, que o patriarca classificou como “um sinal de respeito por essa dor que ninguém deve julgar, medir ou apressar”.

Fazei, Senhor, que também esta árvore fale silenciosamente a todos os que por aqui passarem: que lhes recorde as vidas que hoje honramos e lhes diga que a verdadeira memória não consiste apenas em recordar o passado, mas em cuidar melhor da vida no presente.”

O descarrilamento da composição centenária ocorreu há um ano, resultando em 16 mortos e 24 feridos, de 15 nacionalidades distintas.

“Cada um tinha um nome, um rosto, uma história, pessoas que amava e por quem era amado. Para nós, permanecem na saudade; para Vós, Senhor, nenhuma vida se perde e ninguém é esquecido”, refere a oração do patriarca de Lisboa.

D. Rui Valério sublinhou que a saudade sentida pelas famílias é a derradeira “marca deixada pelo amor”.

A obra edificada no Largo da Oliveirinha compreende 16 blocos em calcário posicionados de forma radial em redor da árvore, servindo de suporte para a gravação do nome de cada vítima mortal.

O patriarca de Lisboa presidiu depois à Missa em Memória e sufrágio pelos que perderam a vida, na Igreja de S. Roque, onde alertou que o desenvolvimento urbano tem de servir as populações.

“Cuidar da vida humana significa criar uma cultura em que a atenção, a prevenção, a competência e a responsabilidade não sejam entendidas como exigências secundárias, mas como expressões concretas do respeito pela dignidade de cada pessoa”, referiu na sua homilia.

“O progresso só merece esse nome quando está verdadeiramente ao serviço do ser humano”, indicou D. Rui Valério.

O patriarca elogiou a mobilização solidária de bombeiros, profissionais de saúde e cidadãos no socorro aos sinistrados, a 3 de setembro de 2025, constatando que “uma sociedade se torna verdadeiramente humana quando ninguém é deixado sozinho com o peso que não consegue suportar”.

“Honramos verdadeiramente aqueles que partiram quando a recordação das suas vidas nos torna mais atentos à vida dos outros, mais próximos de quem sofre e mais conscientes da responsabilidade que todos temos uns pelos outros”, exortou ainda.

OC

Notícia atualizada às 13h00

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