Lisboa: Patriarca lembra São Josemaria Escrivá, que «descortinou Deus e a sua presença em toda a realidade»

D. Rui Valério presidiu a Eucaristia na solenidade que celebra fundador do Opus Dei, na igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima

Foto: Agência ECCLESIA/PR

Lisboa, 26 abr 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa lembrou hoje que São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei, “descortinou Deus e a sua presença em toda a realidade”, na Eucaristia a que presidiu na igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na capital portuguesa.

“Somente alguém cujo coração arde de Deus, como São Josemaría Escrivá, reencontra Deus em todas as coisas. Bem-aventurado o mundo, do qual não devemos fugir, porque fugir dele seria fugir do próprio Deus!”, afirmou D. Rui Valério, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.

Celebra-se hoje a Solenidade de São Josemaria Escrivá, que nasceu a 9 de janeiro de 1902 em Barbastro, Espanha, e morreu em Roma, no dia 26 de Junho de 1975; foi canonizado a 6 de outubro de 2002, pelo Papa São João Paulo que o definiu nessa ocasião como “o santo da normalidade”.

“Num tempo em que o materialismo imperava e impunha a sua árida doutrina da absolutização da matéria como única realidade existente, São Josemaría Escrivá surgiu não como um mero psicólogo do esforço e do trabalho, mas sobretudo como um profeta que despertou a humanidade para a verdade da existência e do real”, disse o responsável católico.

D. Rui Valério recordou que o ideal do fundador do Opus Deis “de santificação do trabalho, no trabalho e pelo trabalho é, antes de mais, um magnífico hino à superação da falsa barreira entre o sagrado e o profano”.

“A realização da nossa mais profunda vocação à santidade não se alcança apenas no contacto com a sacralidade ritual; desenvolve-se igualmente no contacto com as realidades temporais, profundamente impregnadas de eternidade”, referiu.

Na Missa, o patriarca realçou que “o cerne da evangelização de São Josemaría reside precisamente numa proposta de conversão e de santidade que nasce de um novo entendimento da identidade e da essência do mundo e das suas realidades”.

“Repara: se Deus utilizou todos os elementos dos primeiros cinco dias da criação para plasmar o universo, no sexto dia criou o homem e comunicou-lhe o seu próprio Espírito. Como não ficarmos tocados pela densidade mística desta contemplação? Como contemplas tu uma paisagem, uma floresta ou até mesmo uma cidade cheia de movimento?”, questionou.

D. Rui Valério frisa que São Josemaria ensinou todos que em tudo isso “resplandece a beleza de Deus, a sua perfeição e a sua genialidade” e que o “trabalho – cujo primeiro autor foi o próprio Deus, que criou, plasmou e configurou todas as coisas – torna-se lugar de profunda comunhão de amor”.

“O trabalho, longe de fazer de nós servos ou escravos, torna-nos colaboradores de Deus, seus parceiros na continuação da obra que Ele inaugurou. Unidos ao Senhor, participamos na maravilhosa cooperação com Ele na construção do mundo e no serviço à humanidade”, acrescentou.

Partindo do Evangelho, que conta que os discípulos saíram do conforto da margem para se aventurarem pelo meio do lago, o patriarca realçou que “São Josemaria compreendeu profundamente que a Igreja não está separada do mundo, navega no meio dele para o salvar”.

“Cada escritório, cada fábrica, cada oficina, cada lar, cada escola, cada universidade ou local de trabalho podem tornar-se prolongamentos desta Barca de Pedro, onde somos continuamente chamados a lançar as redes em nome do Senhor”, indicou.

D. Rui Valério exortou os presentes a não ter medo “de abandonar as margens da mediocridade e do comodismo” e a deixar-se envolver “pelo abraço de Deus, que transfigura o profano em sagrado”.

“Que, por intercessão de São Josemaria Escrivá, a nossa profissão e os nossos deveres quotidianos se tornem o altar da nossa entrega e o motor do nosso apostolado. E que, permanecendo firmes na Barca de Pedro, possamos experimentar a maravilhosa desproporção do Amor divino e colaborar com Deus na transformação do tecido deste mundo num verdadeiro manto de santidade, para glória de Deus”, concluiu.

O Opus Dei – Obra de Deus, em latim – é uma instituição hierárquica da Igreja Católica, uma prelatura pessoal, que tem por finalidade contribuir para a missão evangelizadora da Igreja; concretamente, propõe-se difundir uma profunda tomada de consciência do chamamento universal à santidade e do valor santificador do trabalho corrente.

LJ/OC

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