Autor Mendo Castro Henriques realça figura que 500 anos depois continua a colocar «questões muito diretas» à sociedade


Lisboa, 06 jun 2019 (Ecclesia) – A Feira do Livro de Lisboa conta hoje com a apresentação da obra ‘Thomas More e o sonho de um mundo melhor’, do investigador Mendo Castro Henriques e com assinatura da Editorial Cáritas.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, Mendo Castro Henriques recorda que Thomas More foi uma das grandes “figuras do humanismo” na época do Renascimento, com uma reflexão que abrangeu temas que hoje continuam atuais, como “os direitos humanos, a inclusão e a sustentabilidade”.

Questões que estiveram no centro de um congresso com o mesmo nome – ‘Thomas More e o sonho de um mundo melhor’ – que decorreu em 2016 na Universidade Católica Portuguesa.

Na altura, assinalavam-se os 500 anos do livro ‘Utopia’, considerado como a obra mais emblemática de Thomas More (1478 – 1535), filósofo, advogado, legislador, figura marcante da corte britânica do século XVI, que serviu como chanceler do rei Henrique VIII de Inglaterra.

“Como sabem os leitores da Utopia, ela é a descrição de um mundo novo e de uma sociedade mais equilibrada”, realça Mendo Castro Henriques, que depois sublinhou aquela que considera ser a grande mais-valia do pensamento de Thomas More para a sociedade de hoje.

“Thomas More pode-se dizer que inaugurou a questão moderna da consciência, aliás um dos seus últimos livros chama-se precisamente ‘Meditações sobre a consciência’. É um termo novo que é introduzido e ele ficou, como diz um seu amigo, um homem para todas as estações, para todos os tempos, um homem de consciência”, reforça o investigador.

O professor Mendo Castro Henriques lembra que foram os ideais e as convicções que levaram Thomas More a ser executado por Henrique VIII, neste caso por divergências relacionadas com a fé.

Thomas More viria a ser depois canonizado e elevado aos altares, como santo, pela Igreja Católica, em 1935, pela mão do Papa Pio XI.

Para Mendo Castro Henriques, o título ‘Thomas More e o sonho de um mundo melhor’, que deu nome primeiro ao congresso de 2016 e agora a este livro, “continua a ser uma expressão feliz para dizer que a utopia é uma dinâmica, não é o fim do arco-íris”, ou seja, é algo que tem de ser mantido e prolongado ao longo do tempo, seja quando está em causa um sonho pessoal ou algo mais global.

Como os debates atuais à volta da “economia”, do “mercado laboral”, enquanto fator essencial para “a realização humana”.

“Nas categorias modernas de análise, Thomas More, com uma linguagem naturalmente de há 500 anos, continua a ser inspirador de questões muito diretas e que têm a ver com a crítica atual aos impasses do neoliberalismo e por outro lado aos delírios populistas”, salienta.

A obra ‘Thomas More e o sonho de um mundo melhor’ é apresentada a partir das 18h30, no auditório central da Feira do Livro de Lisboa’, no Parque Eduardo VII, pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.

A sessão contará ainda com a participação, entre outras figuras, do presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, e do padre José Carlos Nunes, diretor-geral da Paulus Editora.

PR/JCP

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