Cardeal-patriarca inaugurou fase diocesana do Sínodo 2021-2023

Lisboa, 25 out 2021 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa presidiu hoje à abertura da fase diocesana do Sínodo 2021-2023, convocado pelo Papa Francisco, sublinhando a necessidade de abertura a todos, nesta auscultação e mobilização da comunidade.

“Escutaremos todos os que se queiram associar ao nosso caminho sinodal, sem esquecer o âmbito ecuménico e inter-religioso”, referiu D. Manuel Clemente, na celebração que decorreu na Catedral de Lisboa, esta tarde, coincidindo com a solenidade da dedicação do templo.

O responsável católico destacou que a sinodalidade é “uma realidade que define e deve definir a Igreja, em todo o tempo”.

“O trabalho começa na casa de cada um, ou seja, na comunidade que integra”, acrescentou.

O patriarca de Lisboa convocou todos a uma caminhada conjunta, com valorização efetiva “todas as instâncias de sinodalidade” que já estão previstas, como conselhos pastorais e económicos em cada encontro, reuniões de vigararias (conjuntos de paróquias e unidades pastorais), conselhos e instâncias de corresponsabilidade diocesana.

Segundo D. Manuel Clemente, o Papa quis dinamizar toda a Igreja “no aprofundamento doutrinal e prático da sinodalidade, como nota essencial” do seu ser e missão

A intervenção evocou a experiência do Sínodo de Lisboa, de 2014 até ao último mês de junho, que envolveu milhares de pessoas, nas suas várias fases – preparação, celebração e receção.

O cardeal português assinalou ainda que o caminho sinodal vai decorrer “a par” com a preparação e efetivação da Jornada Mundial da Juventude, que a capital portuguesa recebe de 1 a 6 de agosto de 2023, apresentando-a como um momento de alento depois da “grande depressão pandémica”.

“É algo que ultrapassa em grande escala tudo o que alguma vez realizamos em Portugal, mas estamos crentes de que constitui uma magnífica oportunidade de rejuvenescimento anímico para os que estão e os que vierem de todo o mundo”, apontou.

A sessão contou com o responsável pela Equipa Coordenadora Diocesana do Sínodo dos Bispos, o cónego Rui Pedro.

“Aquilo que nos é pedido é que haja um dinamismo de escuta”, em particular “das periferias, dos mais afastados” da Igreja, realçou.

O sacerdote explicou que o Patriarcado vai formar uma rede de “coordenadores locais”, nesta primeira etapa do processo sinodal, a nível diocesano.

Já em novembro vão decorrer ações de formação para os coordenadores locais e para todos os que quiserem participar, em regime presencial ou online.

A auscultação das Igrejas locais é uma etapa inédita, desenhada pelo Papa Francisco, que pediu a cada bispo que replicasse a celebração de abertura que decorreu no Vaticano, a 9 e 10 de outubro, com uma cerimónia diocesana.

A Santa Sé pediu ainda que cada diocese tenha “uma pessoa ou uma equipa de contacto para liderar a fase local de escuta”.

As respostas recolhidas podem ser enviadas para Roma e devem ser entregues à respetiva Conferência Episcopal até abril de 2022, para uma síntese nacional.

O Vaticano explica, no guia prático (vademécum) distribuído em todo o mundo que “a finalidade da primeira fase do caminho sinodal é favorecer um amplo processo de consulta”, com atenção à “voz dos pobres e dos excluídos, não somente daqueles que desempenham alguma função ou responsabilidade” na própria Igreja.

OC

Na homilia da solenidade litúrgica da Dedicação da Sé, D. Manuel Clemente destacou a “variedade de povos e culturas” que vivem em Lisboa, convidando a uma colaboração com a sociedade para . promover uma interculturalidade que “aproxime, com mútuo respeito e partilha”.
“Aliás, é altura de redescobrirmos o essencial do que o Evangelho nos oferece, precisamente quando o oferecemos a quem não o conheça nem nunca tenha ouvido falar dele. Neste sentido, podemos dizer que nos reencontraremos para além de nós e com o que oferecermos aos outros; e também com o que deles pudermos receber, em sinodalidade mais alargada. Já temos na Igreja de Lisboa várias comunidades católicas nacionais, que se encontram e celebram nas suas próprias línguas, além da nossa que já sabem ou vão aprendendo e enriquecendo. Contamos com elas para serem parte muito especial e integrante do nosso caminho sinodal e missionário”, disse.

 

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