Renata Alves teme agravamento da crise social, por causa dos efeitos da pandemia

Foto: RR/Miguel Rato

Lisboa, 04 jul 2021 (Ecclesia) – A diretora da Comunidade Vida e Paz (CVP) alertou para o aumento das situações de vulnerabilidade, com mais pessoas em situação de sem-abrigo e mais pedidos de ajuda para alimentação.

“Temos verificado diariamente, através das equipas voluntárias de rua e das equipas técnicas, que o perfil está a alterar-se: para além das pessoas que estão em situação de sem-abrigo, que não têm teto, também existem as pessoas que estão numa situação de grande vulnerabilidade e que vêm até nós procurando ajuda de uma forma diária, e isto acaba por ser assustador”, destaca Renata Alves.

A convidada da entrevista semanal conjunta Ecclesia/Renascença, publicada e emitida ao domingo, refere que a instituição do Patriarcado de Lisboa distribui mais de 500 ceias por dia

“As ceias são uma forma de chegar até às pessoas”, explica a responsável, lembrando que o objetivo último da intervenção que fazem é retirar os sem-abrigo da rua e assegurar a sua reintegração social.

Acima de tudo, o compromisso é de todos e deveria ser de todos: a qualquer um pode vir a acontecer uma situação destas… É muito importante que nos consigamos pôr no lugar do outro, perceber todas as dificuldades”.

Renata Alves destaca a ação do Papa em favor destas populações mais desfavorecidas e elogia a recém-criada Plataforma Europeia de Combate à Situação de Sem-Abrigo, aprovada na reta final da presidência portuguesa da União Europeia.

Foto: RR/Miguel Rato

“Este problema só pode ser ultrapassado com a intervenção de todos, não só das organizações que lutam diariamente no combate à situação de sem-abrigo, mas pelos responsáveis políticos, pelos parceiros sociais e pela sociedade civil”, indica.

A entrevistada assume que a meta de retirar das ruas de Portugal todas as pessoas em situação de sem-abrigo, até 2023, está “afastada”.

“Retiramos uma, duas pessoas por dia, mas nesse mesmo dia retornam, ou aparecem pessoas em situação de sem-abrigo, por isso o desafio é, de facto, muito difícil”, assume.

Temos em conta os programas que foram criados e as respostas que têm vindo a surgir  – visando, de alguma forma, compensar o acréscimo de novas pessoas em situação de sem-abrigo. Mas o número vai continuar a aumentar”.

A CVP inaugura esta segunda-feira uma nova resposta social, em regime de “alojamento de transição” para cerca de 40 pessoas, que ali vão receber apoio multidisciplinar, para conseguirem refazer a vida.

Foto: Comunidade Vida e Paz

A Unidade Integrativa para Pessoas em Situação de Sem-abrigo (UIPSSA) é uma parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, e está localizada na Quinta do Lavrado, na Olaias.

“É uma resposta inovadora não só para a cidade de Lisboa mas também para a Comunidade Vida e Paz”, refere Renata Alves.

Os utentes vão ser acompanhados por uma equipa técnica constituída por psicólogos, serviço social, apoio médico, apoio psiquiátrico, apoio judicial, “o objetivo vai ser apostar na reintegração”, e encontrar uma alternativa permanente para essas pessoas.

A UIPSSA vai entrar em funcionamento na próxima segunda-feira e a CVP vai assinalar esta abertura com “uma pequena cerimónia” e o acolhimento dos primeiros utentes.

A cerimónia oficial de inauguração está prevista para o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a 17 de outubro, se a situação pandémica o permitir.

Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Agência Ecclesia)

 

Partilhar:
Share