«Promoção e proteção das famílias deve ser o primeiro objetivo de qualquer sociedade organizada» – Cardeal-patriarca

Foto: Lusa

Lisboa, 02 jun 2020 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa afirma que “a promoção e proteção das famílias deve ser o primeiro objetivo de qualquer sociedade organizada”, numa carta às famílias da diocese que iriam reunir em festa, no Domingo da Santíssima Trindade.

D. Manuel Clemente salienta que esta é uma prioridade “especialmente agora”, quando a crise sanitária e económica “atinge fortemente a muitos e dificulta a sobrevivência de tantos”, quanto ao trabalho e “a tudo o mais que garanta a vida das pessoas e suas famílias”.

“Agradeço muito às famílias da diocese de Lisboa tudo o que conseguiram fazer neste tempo difícil para se manterem unidas na entreajuda e na oração, bem como na atenção às necessidades dos seus vizinhos e outras pessoas mais fragilizadas”, assinala.

“Pais e filhos, avós e parentes, constituem o núcleo básico de entreajuda e carinho onde a comunidade ganha o seu primeiro rosto e exercício. Por isso a promoção e proteção das famílias deve ser o primeiro objetivo de qualquer sociedade organizada”, escreve, observando que há “muito a fazer neste sentido”.

O responsável católico lembra que durante o confinamento, para “impedir o alastramento” da pandemia do novo coronavírus, as famílias viveram “um tempo inédito de concentração em casa e proximidade constante” e adianta que recebeu “muitos testemunhos” de como proporcionou “a redescoberta da dimensão doméstica da Igreja”.

Muitas seguiram mediaticamente as celebrações eucarísticas e os tempos de oração que os seus párocos e outros sacerdotes realizaram. A impossibilidade de receção dos sacramentos incrementou a antiga prática da comunhão espiritual, que acrescenta o desejo de nos alimentarmos do Pão da Vida, que é Cristo omnipresente, mesmo quando não é possível recebê-lo sacramentalmente. Também a recitação familiar do rosário, a leitura da Palavra de Deus e outros momentos de meditação e oração se multiplicaram”.

Neste contexto, o cardeal-patriarca de Lisboa assinala que “será bom” que muitos desses hábitos continuem, “complementando a indispensável prática sacramental e comunitária” que se irá retomando, “com a cautela necessária para que a pandemia não retorne”, e unem as duas dimensões da vida eclesial, “doméstica e comunitária”.

“Rezo para que tudo continue ou se recupere desta forma, para que a Igreja se defina realmente como “família de famílias” (Amoris Laetitia, 87), tal como começou. Os nossos sacerdotes seguem o percurso de Jesus que, permanecendo celibatário, alargou a todos os sentimentos familiares com que crescera na família de Nazaré”, explicou D. Manuel Clemente das “duas dimensões complementares da mesma vida em Cristo”.

A carta divulgada pelo Patriarcado de Lisboa foi escrita no contexto da Festa da Família da diocese que se ia realizar no dia 7 de junho, Domingo da Santíssima Trindade, mas “a pandemia ainda impede” que se reúnam “presencialmente”.

“Mas não que vos manifeste assim a muita estima e oração com que sempre vos acompanho, sabendo como o próprio Deus vos quer, como primeira comunidade humana e escola de comunhão verdadeira”, acrescentou o cardeal-patriarca de Lisboa.

O Setor da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa adiou a Festa da Família por causa da pandemia de Covid-19 para 2021, mantendo Óbidos como local de encontro, e os casais jubilares deste ano – 10, 25, 50, 60, 70, 75 anos de casados – que se inscreveram vão receber um documento com a bênção de D. Manuel Clemente.

CB/OC

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