Padre Francisco Mota diz que fé tem «muito para trazer» à sociedade em desconfinamento
Lisboa, 08 Jun 2020 (ECCLESIA) – O diretor da «Brotéria», espaço cultural da Companhia de Jesus que hoje voltou a abrir portas no Chiado (Lisboa), considera que “há uma necessidade tremenda de voltar a viver”, neste período de desconfinamento.
O padre Francisco Mota disse à Agência ECCLESIA que a realidade necessita de “respostas novas, permanentemente” e que a fé “tem muito para trazer” aos vários sectores da sociedade.
A evolução “é permanente” e a relação presencial “é mais visível”, todavia é fundamental “pensar nos grupos que têm ficados esquecidos”, realçou o religioso da Companhia de Jesus, em declarações emitidas hoje no Programa ECCLESIA (RTP2).
O entrevistado considera que o povo português tem “uma relação muito específica com o toque” e a reabertura deste espaço cultural pode continuar os projetos que “nasceram nos últimos meses”, sem esquecer “as fragilidades” de viver em sociedade, acrescenta.
O confinamento colocou em evidência “a fragilidade de um grande número de pessoas”, naquele espaço urbano.
A dor e o sofrimento marcaram estes tempos de pandemia, todavia o contacto com esta realidade “abre a uma generosidade maior”, sublinhou o padre Francisco Mota.
A incerteza abre a porta “à generosidade” e ao “heroísmo” e quebrou a “bolha do individualismo”.
O espaço cultural dos Jesuítas no Chiado percebeu que “os ritmos das pessoas” foi alterado e obrigou-os a confrontar “com aquilo que estava na prateleira e debaixo de tapete”, referiu o religioso jesuíta, para quem o ritmo “mudou” e agora as pessoas “dão atenção” a novas realidades.
Esta mudança vai permitir àquele espaço um desafio novo “rumo à ação” porque o papel “não pode ser apenas de condenador” e “censurador da vida da sociedade”.
Depois deste tempo de isolamento e confinamento, a Igreja sai com o sentido “da valorização da vida comunitária”, afirmou o padre Francisco Mota.
Apesar da reabertura da «Brotéria», a “Internet continua a ser um aliado forte”, acrescentou.
Para o futuro, este espaço cultural vai lançar um “novo projeto – «Coordenadas para um novo normal»” – que estão um “pouco esquecidos na sociedade”: “Isolamento dos Idosos”, “Produção excessiva de lixo”, “Justiça intergeracional” e “Mobilidade humana”.
A partir desta segunda-feira e durante o mês de junho, aquele local cultural tem 14 espaços de trabalho individual diários, distribuídos por quatro salões, disponíveis sob marcação.
HM/LFS