Liberdade Religiosa: Diocese de Pemba recebeu mensagem de solidariedade da Comunidade Islâmica de Moçambique

«Ajuda-nos a distinguir, na prática, a religião islâmica daqueles que subtilmente querem se servir dela, radicalizando-afirma D. António Juliasse

Foto: Diocese de Pemba (Facebook)

Pemba, Cabo Delgado, Moçambique, 06 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo de Pemba recebeu uma mensagem de solidariedade da Comunidade Islâmica de Moçambique (CIMO), após a destruição da igreja em Meza na província de Cabo Delgado, “sinal de esperança e como símbolo de fraternidade humana”.

“Muito obrigado, irmãos da CIMO, pela vossa mensagem. Ela ajuda-nos a distinguir, na prática, a religião islâmica daqueles que subtilmente querem se servir dela, radicalizando-a e espalhando mensagens de ódio, morte e destruição”, assinala D. António Juliasse, numa nota publicada hoje, dia 6 de maio, na página da Diocese de Pemba no Facebook.

A igreja da histórica paróquia católica de São Luís de Monfort, na localidade de Meza, província de Cabo Delgado no norte de Moçambique, foi “reduzida a escombros” após um ataque terrorista, no dia 30 de abril; os insurgentes invadiram a aldeia por volta das 16h00, e queimaram e destruíram totalmente o edifício religioso, que desde 1946 era um símbolo da presença católica na região norte do país lusófono, informou a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

A Comunidade Islâmica de Moçambique manifestou “profunda preocupação face aos recentes ataques” na província de Cabo Delgado, “a destruição de infraestruturas comunitárias e locais de culto” em Meza, distrito de Ancuabe, e “condena de forma firme e inequívoca” todos os atos de violência contra populações civis, e “a destruição de espaços religiosos, independentemente da sua filiação confessional”.

“Expressamos, neste momento, a nossa solidariedade para com a comunidade católica e todas as famílias afetadas por estes acontecimentos, reiterando que nenhuma fé deve ser utilizada como justificação para a violência, o medo ou a divisão entre os moçambicanos”, escreve a CIMO, na mensagem divulgada pela Diocese de Pemba.

Segundo o bispo católico D. António Juliasse, o comunicado que receberam esta quarta-feira, “chegou em boa hora”, como “um sinal de esperança e como símbolo de fraternidade humana”, que o Papa Francisco “ensinou”, e recorda o ‘Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum’, assinado com o o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, a 4 de fevereiro de 2019, nos Emirados Árabes Unidos.

A Comunidade Islâmica de Moçambique afirma que “fiéis aos princípios do Isslam” rejeita qualquer tentativa de “instrumentalizado da religião para fins de violência ou terror”, acrescentando que num momento em que o medo procura dividir, “importa reafirmar que a fé, em qualquer das suas expressões, deve ser sempre um ponto de encontro e nunca de destruição”.

D. António Juliasse lembra que estudou a religião islâmica, enquanto seminarista, e aprendeu “exatamente” o que a Comunidade Islâmica de Moçambique escreve no seu comunicado: “os princípios do Islão ‘promovem a paz, a justiça e a preservação da vida humana’, que são os mesmos que os cristãos católicos acreditam e ensinam.

“A CIMO apela à união de todos os moçambicanos, líderes religiosos e instituições, no sentido de fortalecer mensagens de tolerância, coesão social e responsabilidade coletiva”, lê-se na mensagem onde reafirma o “compromisso com a convivência harmoniosa entre religiões”.

O bispo de Pemba destaca também o que foi “um sinal vivo” do diálogo inter-religioso, que “reforça a fraternidade humana”, a visita de Leão XIV à Grande Mesquita de Argel, na Argélia, onde foi recebido pelo reitor Mohamed Mamon Alkazimi, na primeira viagem apostólica do Papa a África, realizada de 13 a 23 de abril.

Perante o cenário de destruição de casas e infraestruturas, após o ataque terrorista, D. António Juliasse apelou à solidariedade internacional e garantiu a resiliência da população perante a perseguição movida pelos grupos armados, que reivindicam pertencer ao ‘Estado Islâmico’ de Moçambique.

CB/

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