Comunicado surge após arquivamento do processo de inquérito, pelo Ministério Público

Leiria, 28 fev 2020 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, emitiu hoje um comunicado a respeito do arquivamento do processo de inquérito à morte do padre Marco Brites, pelo Ministério Público, lamentando o que classificou como “insinuações caluniosas”.

“Não podemos deixar de condenar todas as insinuações caluniosas que pretendem responsabilizar qualquer sacerdote ou outras pessoas na morte do padre Marco Brites. Conforme explícito nas conclusões do processo de investigação criminal que relatam os factos de forma inequívoca, não foram encontrados indícios nesse sentido”, indica o cardeal português, em nota enviada à Agência ECCLESIA.

O texto indica que a diocese colaborou “sem reservas” no inquérito policial, “desde o primeiro momento”, e admite que no relatório final da Polícia Judiciária revela “alguns comportamentos impróprios e reprováveis do padre Marco Brites” que eram desconhecidos dos responsáveis católicos.

“Tal conduta deixa-nos profundamente tristes, bem como a todos os seus colegas sacerdotes, e causam confusão e perturbação nos fiéis, nos familiares e nas comunidades que servia, por estar em contradição com os compromissos sacerdotais e a probidade moral que dele se esperava”, escreve D. António Marto.

Manifestamos a nossa solidariedade na dor à família, especialmente aos seus pais e irmã, e damos uma palavra de ânimo a todos os que sofrem tristeza e desilusão por causa da morte e da quebra da boa imagem que tinham do padre Marco Brites”.

Esta quarta-feira, a Diocese de Leiria-Fátima reagiu, em comunicado, ao arquivamento deste processo.

“As dramáticas perguntas que muitos fazem sobre a sua trágica morte são também as do bispo e dos colegas. Concluído o inquérito, lamentamos que não tenha sido possível apurar as causas do misterioso acontecimento e que algumas perguntas fiquem sem resposta”, referia uma nota divulgada no site diocesano.

O padre Marco Paulo da Silva Brites, pároco da Maceira, foi encontrado sem vida, no areal da praia das Valeiras, a 6 de junho de 2018; tinha 38 anos de idade e era sacerdote desde 29 de abril de 2007.

“No desejo e empenho para que se apurasse a verdade e eventuais responsabilidades, a Diocese colaborou, desde o princípio, com a investigação, incentivando as pessoas que soubessem alguma coisa relativa ao trágico acontecimento a revelá-lo à Polícia Judiciária”, indica o comunicado oficial.

Segundo a nota, o cardeal D. António Marto “e talvez uma dezena de padres” foram inquiridos, “dando a conhecer sem reservas o que sabiam sobre o padre Marco e a sua morte”.

Como os pais, os familiares e os muitos amigos, também o bispo e o clero de Leiria-Fátima sofreram e continuam a sofrer pela perda deste sacerdote, que nos era muito querido e de quem esperávamos muitos bons serviços às comunidades cristãs de que era zeloso pastor”.

A conclusão do processo Departamento de Investigação e Ação Penal do Ministério Público de Leiria acontece após “extensas diligências probatórias”, que “não permitiram apurar as causas da morte de Marco Paulo da Silva Brites, nem estabelecer se a mesma se deveu a homicídio, suicídio ou acidente”.

Depois de ter recebido a notificação da conclusão do processo, o vigário-geral da Diocese de Leiria-Fátima fez uma visita aos pais do padre Marco Brites, “para os ouvir, informar no que soubesse e lhes pudesse ser útil às suas interrogações e lhes manifestar a solidariedade do bispo diocesano e do clero”.

OC

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