Vaticanista da Renascença destaca inteligência de Leão XIV, que «é muito humilde» e tem «uma energia incrível»

Lisboa, 07 mai 2026 (Ecclesia) – Aura Miguel afirmou hoje que o estilo do Papa Leão XIV “é bastante desafiante”, porque “é muito firme, discreto e terno”, e neste primeiro ano de pontificado, uma leitura, é “sobre a paz”, no mundo, e na Igreja,
“Retomei o texto inicial dele na varanda, e ele disse nove vezes a palavra paz. E creio que esse é um fio condutor do pontificado, também pela circunstância em que vivemos, mas depois ele aprofundou na homilia que fez no início do pontificado, e a questão da paz também é interna”, disse a jornalista da Rádio Renascença, esta quinta-feira, 7 de maio, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Aura Miguel considera que se pode fazer “uma leitura deste pontificado sobre a paz”, quer no mundo, quer dentro da Igreja, e assinala que na oração Regina Caeli deste domingo, dia 3 de maio, Leão XIV pediu a toda a gente, “os fiéis, para rezarem o Terço”, e, depois, pediu pelas suas intenções, “particularmente pela comunhão na Igreja e pela paz no mundo”.
“A paz no mundo já sabemos porquê, e a comunhão na Igreja também sabemos que ele herdou uma situação complexa, nomeadamente com duas vertentes opostas que poderá eventualmente, esperemos que não, levar a cismas, espero que não, um relacionado com os lefebvrianos, que já avisaram que vão fazer ordenações, e o outro a questão da Alemanha, etc.”, desenvolveu a vaticanista portuguesa.
Leão XIV foi eleito a 8 de maio de 2025, após pouco mais de 24 horas de Conclave, como sucessor de Francisco, que era “supercarismático”, observa Aura Miguel, que não considera este Papa “carismático”, mas destaca outras vertentes que se revelaram “perante o mundo” com o caso com Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos da América.
“Com uma serenidade desarmante, falou o essencial e isso é que deu notícia. A postura que o Papa tem assumido, nomeadamente agora, também esta semana, outra vez, ele diz muito claramente ‘o que eu faço é falar do Evangelho, quem me ataca é que fale com verdade’, onde é que ele não está a ser fiel ao Evangelho, e isso desarma mesmo”, desenvolveu.

Leão XIV na sua primeira saudação dirigiu a todos as palavras ‘a paz esteja convosco’, e apelou a ‘uma paz desarmada e desarmante’ que vem de Deus, e, segundo a jornalista da emissora católica portuguesa “aquilo que ele propôs é o que está exatamente a fazer, mas faz de uma maneira super discreta”.
A vaticanista da Renascença realça que o Papa “é muito humilde, ele apaga-se para que seja outro maior do que ele”, e “tem uma energia incrível”, que foi visível na viagem de 11 dias a quatro países de África, de 13 a 23 de abril, a na primeira viagem internacional à Turquia e Líbano (30 de novembro a 2 de dezembro de 2025), onde estiveram presentes os temas “da paz e da unidade”.
“Sobretudo a da África foi extraordinária, porque foi uma viagem supercansativa, onze dias, com muitos encontros, e ele parecia que estava sempre fresco. Isso provocou muita gente, como é que ele estava sempre tão bem, tão disponível, tão atento. E eu acho que isso toca a vocação dele, e a vocação dele é ser missionário; ele sempre foi missionário, toda a vida, e agora temos um missionário como Papa”, acrescentou.
É muito fascinante, porque ele tem um estilo único. Cada pessoa é única e irrepetível, é certo, mas o estilo do Papa Leão XIV é bastante desafiante, porque ele ao mesmo tempo é muito firme, discreto e terno. Bastante terno, disponível para cada um, mas vai direto ao assunto.”
Com 15 cardeais a completar 80 anos até final de 2027, Leão XIV vai ter oportunidade de anunciar as suas primeiras escolhas para o colégio cardinalício, e Aura Miguel destaca a importância da colegialidade para este Papa, considerando “decisivo para perceber este pontificado”, porque, “logo na primeira homilia no dia a seguir à eleição, ainda dentro da Capela Sistina, “ele faz um diagnóstico do tempo, a partir da pergunta ‘quem dizem os homens que eu sou.
“As atitudes de desleixo também, da própria Igreja, de um certo comodismo, que eles denuncia, ou ataques mesmo à Igreja, no fim também lembra aos cardeais que eles existem para dar a vida, e a posição dele é essa, é dar a vida em colegialidade, em comunhão com os outros”, referiu, assinalando que as nomeações que fez até agora, “que não são muitas, também tem uma leitura, porque são pessoas muito discretas, quase todas desconhecidas”.
HM/CB/OC

