Francisco convida humanidade a superar critério «utilitarista» da eficiência e dos lucros

Cidade do Vaticano, 18 jun 2015 (Ecclesia) – O Papa Francisco cita os bispos portugueses na sua nova encíclica, ‘Laudato si’, para defender uma maior solidariedade com as gerações futuras.

“As crises económicas internacionais mostraram, de forma atroz, os efeitos nocivos que traz consigo o desconhecimento de um destino comum, do qual não podem ser excluídos aqueles que virão depois de nós”, escreve, no documento divulgado hoje pelo Vaticano.

Segundo o pontífice argentino, não se trata duma “atitude opcional” mas duma “questão essencial de justiça”, pois a terra pertence também “àqueles que hão de vir”.

“Os bispos de Portugal exortaram a assumir este dever de justiça: «O ambiente situa-se na lógica da receção. É um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte»”, refere Francisco, citando a carta pastoral “Responsabilidade solidária pelo bem comum”, publicada pela Conferência Episcopal Portuguesa em 2003.

O Papa sustenta que “já não se pode falar de desenvolvimento sustentável sem uma solidariedade intergeracional”.

Nesse sentido, a encíclica fala numa lógica nova, “do dom gratuito”, na relação com o planeta.

“Se a terra nos é dada, não podemos pensar apenas a partir dum critério utilitarista de eficiência e produtividade para lucro individual”, precisa.

Francisco recorda também o princípio da “subordinação” da propriedade privada ao “destino universal dos bens”, pelo que o direito universal ao seu uso é uma “regra de ouro” do comportamento social.

“O meio ambiente é um bem coletivo, património de toda a humanidade e responsabilidade de todos. Quem possui uma parte é apenas para a administrar em benefício de todos. Se não o fizermos, carregamos na consciência o peso de negar a existência aos outros”, explica.

A carta pastoral “Responsabilidade solidária pelo bem comum” recordava a “enorme responsabilidade quanto ao uso e usufruto dos bens comuns ambientais em cada presente histórico”.

“Esta responsabilidade passa pela denúncia de factos dramáticos para a humanidade”, assinalavam os membros da Conferência Episcopal Portuguesa, que apelaram a uma “consciência ecológica de conservação e preservação da natureza e do ambiente”.

A encíclica é o grau máximo das cartas que um Papa escreve e a expressão 'Laudato si’' (louvado sejas) remete para o 'Cântico das Criaturas' (1225), de São Francisco de Assis, o religioso que inspirou o pontífice argentino na escolha do seu nome.

O texto foi enviado a todos os bispos do mundo, acompanhado por uma mensagem de Francisco.

OC

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