Novena de oração antecipa grande celebração no santuário

Lamego, 03 set 2019 (Ecclesia) – O reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, afirmou que a cidade “muda sobretudo em volumetria, mais gente, mais participação” durante a novena e a festa que transfigura a cidade, com a “fé de todos os dias”.

“O que oferecemos nestes dias da novena é o que procuramos oferecer todos os dias com uma diferença. Nos outros dias a oração é ao fim da tarde, começa a ser às 06h00 da manhã, coisa senão única quase rara no país, mas com o santuário e limítrofes completamente cheios”, afirmou o padre João António Pinheiro Teixeira.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o reitor explicou que “é um mar de gente provocado por um mar de mãe que corre a montante”, isto é sobe para o santuário no monte de Santo Estevão, e enche “a nave, a capela-mor, a sacristia e parte do adro”, e no início da novena, a 30 de agosto, retiraram os bancos porque “as pessoas não cabem”.

Para o sacerdote “é bastante emocionante, bastante marcante” estas pessoas que têm fé, “uma fé simples mas muito arraigado, como deve ser a fé dos cristãos que olham para Nossa Senhora como portadora do salvador”.

“Canalizam para esta novena toda a sua preocupação, todas as suas tribulações de dias, de anos, há quem faça a novena todos os anos, há aqueles que por razões mais pontuais vão uns para suplicar, outros para agradecer”, desenvolve.

Segundo o reitor do santuário da Diocese de Lamego um dos fatores que contribui para que a novena “seja tão participada” é o facto de manter-se “fiel às origens”, “à mesma hora e extremamente simples, com momento mariano e momento eucarístico logo a seguir”, que existe desde o século XVII.

O atual santuário começou a ser construído em 1750, depois da Capela de Santo Estêvão (de 1361) e da primeira Capela de Nossa Senhora dos Remédios (de 1565). A inauguração aconteceu a 22 de Julho de 1761 e a obra só foi finalizada com a conclusão da segunda torre, em setembro de 1905.
O escadório foi edificado entre 1777 e 1966 e o parque florestal iniciado em 1898.

Há quatro séculos que a Novena de Nossa Senhora dos Remédios, que deu origem à festa, começa às 06h00 e do programa celebrativo consta a exposição do Santíssimo Sacramento, a saudação a Nossa Senhora e a recitação do Terço (06h10), depois a Ladainha, Consagração a Nossa Senhora e Oração de São Francisco (06h30) e bênção do Santíssimo Sacramento antes da Missa (06h45).

‘Missionários de Cristo na companhia de Maria’ é o tema das festas que neste domingo, 8 de setembro, realiza a procissão do Triunfo com a “particularidade rara” dos cinco andores serem puxados por “várias juntas de bois”, que participam “desde a primeira procissão”, em 1894.

O reitor explica que há dois andores que “são fixos” – de Nossa Senhora dos Remédios e o de Nossa Senhora da Assunção, “padroeira da Sé” lamecense, – e três que mudam “todos os anos”.

O padre João António Pinheiro Teixeira assinala que o percurso da procissão “é bastante extenso” e refere até que “começa no dia 6 quando Nossa Senhora dos Remédios sai do santuário para a igreja das Chagas”, no centro da cidade, para regressa ao santuário a 8 de setembro, a partir das 16h00, e no percurso passa pela igreja de Santa Cruz, “onde são prestadas honras militares” e volta para a sua igreja no monte de Santo Estêvão.

A imagem original da Virgem com o Menino ao peito, datada do século XVI, encontra-se no trono do altar-mor da igreja e na sacristia está a imagem que é levada na procissão de Triunfo, e foi chegou ao santuário em setembro de 1904.

O santuário mariano está no Monte de Santo Estêvão e quem quer subir a pé desde o centro da cidade encontra uma escadaria com “616 degraus – no conjunto 925 degraus uns à esquerda e outros à direita” -, e tudo sinaliza a caminhada crente, “a caminhada do cristão para participar na novena e para chegar ao encontro de Cristo e da sua mãe”.

HM/CB

 

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