Jovens portugueses serão fonte de alegria e entusiasmo em Colónia

D. António Carrilho, presidente da Comissão Episcopal para o Laicado e Família – responsável pelo sector da Pastoral Juvenil em Portugal -, fala à Agência ECCLESIA da presença nacional na XX Jornada Mundial da Juventude Agência ECCLESIA – Qual foi a dinâmica preparação da JMJ? D. António Carrilho – Posso dizer que as Jornadas Mundiais da Juventude – e esta de Colónia é já a 20ª – têm uma dinâmica peculiar, até mesmo no domínio da sua preparação. Quase diria que basta o anúncio da Jornada Mundial seguinte, com o tema e o local de realização, além da publicação da mensagem do Papa, para que os responsáveis se empenhem na elaboração de subsídios catequéticos de aprofundamento dessa mensagem e na mobilização de grupos de jovens, na perspectiva e expectativa desse encontro, para a partilha de experiências e o contacto com os outros. Depois, como é óbvio, há a expectativa do encontro com o Papa, na grande vigília e na Eucaristia final. AE – Que momentos destacaria no percurso das nas dioceses portuguesas? AC – Nas nossas dioceses gostaria de destacar dois momentos particularmente importantes, que considero terem sido muito mobilizadores. O primeiro foi a peregrinação da Cruz da JMJ, em 2003, que passou por quase todas as dioceses do nosso país, originando um envolvimento assinalável dos jovens, superando em muitos lugares as expectativas criadas. O outro momento foi a peregrinação nacional “Fátima Jovem 2005”, no passado mês de Maio, com o mesmo tema das Jornadas Mundiais (“Viemos adorá-lo”) que foi aprofundado em muitos movimentos paroquiais e de pastoral juvenil com catequeses preparadas para esse efeito. Criou-se assim uma dinâmica geral na Pastoral Juvenil e não apenas para os jovens que vão participar nas Jornadas. Estes, no entanto, tiveram uma preparação próxima, não apenas no âmbito do aprofundamento da menagem – e aqui são de referir os textos que o Secretariado Diocesano do Porto preparou e disponibilizou -, mas também em todos os outros aspectos que se consideraram importantes para que os jovens portugueses possam aproveitar ao máximo desta sua grande experiência de comunhão eclesial. AE – É um percurso longo… AC – Exactamente. A própria Jornada cria uma dinâmica que nós aqui procurámos concretizar com momentos especiais, para agarrar e perspectivar. AE – Qual poderá ser o contributo específico da delegação portuguesa? AC – Os jovens portugueses são, por norma, muito comunicativos e colocam-se perante acontecimentos desta natureza numa atitude activa, participativa e sem inibições. Espero que possam captar e acolher a vida que lhes é transmitida pelos diversos actos do programa e pelas relações interpessoais com jovens de tantos países do mundo. Eles sabem comunicar a sua alegria, a sua experiência de vida, o testemunho da sua própria fé. De forma mais organizada, a pedido do Conselho Pontifício dos Leigos, vamos contribuir com 10 pequenos grupos de animação e apoio às catequeses em língua portuguesa que se vão realizar em diversos lugares nas manhãs dos dias 17, 18 e 19 de Agosto. Cada grupo de animação colabora com o Bispo que faz a Catequese e preside à Eucaristia, no fim dessa manhã. Eu próprio terei a alegria de contar com uma equipa da Diocese do Porto a animar a Catequese de 18 de Agosto, perto de Bona. AE – Este será o primeiro grande encontro dos jovens com o Papa Bento XVI. Quais são as suas expectativas? AC – Todos sabemos que está ainda bem viva na memória dos jovens a figura do saudoso Papa João Paulo II. Ele, para além da sua capacidade de comunicação e empatia com os jovens, instituiu as Jornadas Mundiais da Juventude e presidiu a todas até à XIX, no Canadá, há três anos. Penso, no entanto, que os jovens, sem esquecerem João Paulo II, vão saber receber o seu sucessor com muito entusiasmo e alegria, no mesmo espírito de fé. Em Portugal, da nossa parte, houve mesmo a preocupação de preparar os jovens nesse sentido, para que a importância e o valor da JMJ não pareçam depender da pessoa deste ou daquele Papa, mas estejam centrados na figura e missão do sucessor de Pedro. Espero por isso que a XX JMJ constitua um passo importante nesta abertura à Igreja na sua dimensão universal, em comunhão com os Bispos que estarão presentes e o Papa. AE – Que desafios deixará esta JMJ à Pastoral Juvenil no nosso país? AC – É verdade que a dinâmica das Jornadas mundiais se tem revelado muito importante para a pastoral da juventude em muitos países, entre os quais Portugal. Ela não esgota, contudo, os dinamismos de uma pastoral que se deseja organizada, com objectivos claros e propostas de formação para a vida dos jovens. Os desafios e perspectivas para a Pastoral Juvenil no nosso país brotam do conhecimento da nossa realidade social, humana e eclesial, nas suas implicações com a vida dos jovens. Trabalharemos com as orientações dos Bispos, contidas nomeadamente nas bases para a Pastoral Juvenil que a Conferência Episcopal Portuguesa publicou. O programa pastoral não depende, portanto, da Jornada Mundial, mas tem de saber integrar a temática e eventuais propostas que venham para a próxima Jornada, sem deixar de contar com a força e o entusiasmo redobrados dos jovens que viveram a experiência de Colónia e daqueles com quem a partilharam. Estou certo de que a participação de mais de 5 mil jovens portugueses na presente Jornada será sem dúvida uma mais-valia para o futuro da Pastoral Juvenil em Portugal.

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