Mais de 80 jovens de várias confissões cristãos promoveram, durante o dia de hoje, uma “caminhada ecuménica”, como forma de assinalar a semana de oração pela unidade dos cristãos. A caminhada teve início na igreja Lusitana de S. João Evangelista (Torne – V. N. de Gaia) passando pela Catedral, a igreja de S. Francisco e a igreja Metodista do Mirante, concluindo-se na igreja de N.ª S.ª da Conceição. Para o Pe. João Pedro, que acompanha as iniciativas do Grupo Ecuménico Jovem (GEJ) do Porto, esta é uma manifestação de “ecumenismo prático”, que permite conhecer as diversas tradições cristãs através das suas igrejas. Os jovens percorreram as ruas do Porto, parando para momentos de oração e de reflexão nos diversos locais de culto. Este responsável refere que o GEJ sentiu necessidade de “fugir aos esquemas tradicionais” para a celebração deste oitavário de oração. A partir do tema proposto para estes dias de 18 a 25 de Janeiro, “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles (Mt 18,20)”, os jovens cristãos do Porto optaram por promover essa reunião “nos vários lugares em que nos costumamos encontrar”, explica o Pe. João Pedro. Opção de vida Irene Moreira, do GEJ, começou a ouvir falar do ecumenismo com 17/18 anos, interrogando-se sobre os motivos para a divisão entre pessoas que acreditam no mesmo Jesus. Movida pela “curiosidade”, como confessa à Agência ECCLESIA, disponibilizou-se para participar em actividades da Igreja Católica com outras Igrejas cristãs. Após a formação de um grupo de jovens “para pensar a questão da unidade entre os cristãos”, esta católica começou a perceber que “as diferenças não são assim tão grandes que nos impeçam de estar juntos”. Alguns anos de caminhada conjunta depois, pode-se dizer que longe vão os tempos em que os encontros se resumiam às iniciativas anuais do Fórum Ecuménico Jovem e da celebração na semana de oração. “Começamos a encontrar-nos mensalmente para trocar experiências O Pe. João Pedro explica que, todos os meses, há um encontro com algumas dezenas de cristãos das Igrejas Católica, Metodista e Lusitana, com um tempo de oração e partilha. Para além disso existe a programação das actividades conjuntas. Dessas actividades lembra, em especial, uma que aconteceu no Natal 2005, quando os cristãos das diversas confissões se juntaram para cantar, como forma de lembrar que “o mais importante era Jesus”. Irene Moreira destaca que “as experiências que as outras Igrejas vivem no seu dia-a-dia podem ser interessantes também para a Igreja Católica, a partilha de experiências de fé enriquece-nos e deixa-nos mais aptos para a nossa própria caminhada de fé”. É precisamente essa vontade de crescer “na dimensão espiritual” que faz esta jovem persistir e acreditar que o ecumenismo não é uma opção utópica, em que os caminhantes voltam sempre ao ponto de partida. “Acredito que a unidade é possível e não está tão longe como parece”, afirma. “Há sempre vontade de fazer mais, os pequenos passos dados pelas pequenas comunidade são os sinais visíveis da vontade de avançar para a unidade”, aponta. Ecumenismo «full-time» O movimento ecuménico no Porto, com um passado de algumas décadas, tem sabido suscitar, ao longo dos anos e mais recentemente, diversas iniciativas conjuntas que não se resumem apenas à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos como o Serviço Religioso Ecuménico no Hospital de S. João; Encontros-Convívios das Igrejas Cristãs e diversas iniciativas no âmbito juvenil (marchas, celebrações pela Paz e o Fórum Ecuménico Jovem). Recentemente foi constituída uma Comissão Ecuménica com representantes das diversas Igrejas que reúne regularmente com vista a criar as condições para que possa “germinar” um “ecumenismo no quotidiano”, intensificando os contactos, dando a conhecer as experiências ecuménicas locais, promovendo momentos de reflexão/oração, preparando as diversas celebrações, estimulando a difusão de um espírito de paz e reconciliação entre as diversas comunidades eclesiais para que possam oferecer à Sociedade um testemunho comum.
