Presidente nacional da Juventude Operária Católica deixa o cargo no final de março

Lisboa, 25 fev 2014 (Ecclesia) – A presidente nacional da Juventude Operária Católica (JOC), Elisabete Silva que deixa o cargo no final de março, revela que a experiência de três anos a tornou “melhor pessoa, cristã e militante”.

“O contato com jovens tão diferentes, de realidades tão distantes é algo absolutamente extraordinário e se por um lado é difícil porque tive de lidar com muitas situações ao mesmo tempo fez-me crescer muito enquanto pessoa, cristã e militante”, disse Elisabete Silva em declarações à Agência ECCLESIA.

“Faço uma avaliação muito positiva à experiência em si, é algo difícil de aceitar porque não é um emprego é uma missão”.

Há 3 anos quando tomou posse como presidente nacional da JOC Elisabete dedicou-se a tempo inteiro à missão, deixando para trás um emprego que tinha no norte do país, “uma decisão difícil” mas que garante que “voltava a tomar” porque ser presidente da JOC “foi uma experiência incrível que em mais lado nenhum conseguiria ter tido”.

O contato com a pobreza foi das experiências mais marcantes para Elisabete Silva, “uma pobreza que em Portugal pensa-se que já não existe, mas que ainda se encontra, uma pobreza de formação, de falta de emprego resultante de uma conjuntura social que não permite a algumas pessoas que se desenvolvam e vão mais além”

Em Setúbal e Lisboa onde a JOC está presente em bairros sociais, essa pobreza “existe muito” porque há “muito desemprego e as pessoas “são discriminadas à partida apenas por viverem onde vivem” e estar com os jovens “mostrar-lhes que se quiserem conseguem chegar mais longe é algo difícil mas muito gratificante”, conta à Agência ECCLESIA a presidente da JOC

A motivação e a valorização de cada um é aliás a metodologia primordial da JOC “que pretende estar muito próximo dos jovens com a nossa forma de estar, de fazer revisão de vida, com o ver, o julgar e o agir, nós procuramos sempre criar proximidade com os jovens, para que os jovens possam ir ao encontro dos outros jovens”, explica.

“A JOC é um movimento dos jovens, pelos jovens e para os jovens por isso está muito presente a dimensão da pessoa em si e não tanto do número”.

“Vivemos numa sociedade em que as pessoas já são consideradas um número e um objeto de comércio, de consumo e de facto nós temos de contrariar esta tendência e procurar a pessoa em sim porque por exemplo 2 desempregados não são apenas 2 números, representam sentimentos e frustrações diferentes”, alerta Elisabete Silva em declarações à Agência ECCLESIA.

A ainda presidente da JOC recorda o encontro nacional de formação que decorreu este mês na Gafanha da Nazaré em Aveiro, onde cerca de 90 jovens estiveram reunidos e mostraram estar empenhados “em pensar o seu projeto de vida pensado também no que Deus quer para a vida de cada um, definindo concretamente passos, objetivos para o seu projeto de vida e o feedback depois do encontro leva a crer que ainda é possível levar esperança aos jovens”.

Lisandra Rodrigues, antiga coordenadora da JOC na Diocese do Porto é a nova coordenadora nacional da Juventude Operária Católica e vai iniciar funções no próximo dia 1 de abril.

A JOC surgiu na Bélgica em 1925, através do padre Joseph Cardijn, e chegou a Portugal 10 anos depois, assumido como missão “a libertação dos jovens trabalhadores”.

PR/MD

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