Beatificação do Papa polaco preparada em vigília de oração que foi «celebração da memória»

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA ao Vaticano

Roma, 30 abr 2011 (Ecclesia) – O antigo secretário particular de João Paulo II, cardeal Stanislaw Dziwisz, afirmou hoje em Roma que o Papa polaco ultrapassou “todas as fronteiras”, merecendo o título de “beato” que vai receber este domingo.

Lembrando o momento da morte de João Paulo II, este responsável revelou que aqueles que estavam presentes nesse último momento estavam “convencidos de que tinha morrido um santo”.

Durante uma vigília de oração com cerca de 200 mil pessoas, segundo estimativas das autoridades italianas, o cardeal disse que o Karol Wojtyla (1920-2005) que conhecia “não mudou” após a eleição papal de 1978.

“Sinto-o presente aqui no Circo Máximo”, disse ainda.

Dziwisz lembrou as intervenções de João Paulo II contra a Mafia, na Itália (1993), e, em 2003, contra a guerra do Iraque.

Numa “celebração da memória”, com transmissão internacional, a organização convidou ainda o antigo porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls.

O espanhol mostrou “gratidão” por um Papa que disse “sim a tudo o que Deus lhe pediu e não era pouco”.

“Obrigado pela obra-prima que, com a ajuda de Deus, fizeste da tua vida”, disse Navarro-Valls, que colaborou de perto com João Paulo II e não conseguiu esconder a sua emoção, nesta intervenção.

A segunda parte do encontro conta com a recitação da oração tradicional do terço do Rosário, com intervenções de fiéis reunidos em cinco santuários dedicado ao culto da Virgem Maria Basílica de Guadalupe, no México; o Santuário de Kawekamo, na Tanzânia; Cracóvia, na Polónia; o Santuário de Nossa Senhora do Líbano, em Beirute, e Fátima onde são esperadas várias centenas de pessoas.

O cardeal Agostino Vallini, vigário do Papa para a diocese de Roma, falou de “veneração, afeto, admiração e profunda gratidão” em relação a João Paulo II e lembrou a sua “fé enraizada e forte, livre de medos”.

“Testemunha da época trágica das grandes ideologias, dos regimes totalitários e do seu ocaso, João Paulo II intuiu com antecedência a trabalhosa passagem, marcada por tensões e contradições, da época moderna para uma nova fase da história”, disse.

Dois pequenos filmes, realizados por jovens ligados à diocese de Roma, lembraram o Papa polaco e a sua influência sobre a vida de universitários e dos mais novos.

Bento XVI vai concluir a vigília, desde o palácio do Vaticano, em ligação vídeo.

OC

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