Documento apresenta novas orientações para celebração de dia mundial da Juventude a nível diocesano

Cidade do Vaticano, 14 mai 2021 (Ecclesia) – O Vaticano apresentou hoje novas orientações pastorais para celebrar a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a nível diocesano, desafiando as comunidades católicas a apostar nos jovens.

“É necessário ter a coragem de envolver e confiar papéis ativos aos jovens, tanto aqueles que vêm das diferentes realidades pastorais presentes na diocese quanto aqueles que não pertencem a nenhuma comunidade, grupo de jovens, associação ou movimento”, refere o texto, divulgado em conferência de imprensa.

As novas orientações, aprovadas pelo Papa, foram elaboradas pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé), cujo prefeito é o cardeal norte-americano Kevin Farrell.

“É necessário fazer com que as jovens gerações percebam que estão no centro da atenção e da solicitude pastoral da Igreja”, aponta o documento.

O Vaticano pede que esta jornada seja uma “festa da fé”, que adapte de “forma criativa” a realização a nível internacional, que acontece geralmente com cadência trienal, num país diferente, com a presença do Papa.

A celebração diocesana passa a decorrer a partir deste ano, por decisão do Papa, na solenidade de Cristo-Rei, que encerra o ano litúrgico no calendário católico, em vez do Domingo de Ramos.

A mudança de data merece atenção no documento, destacando a centralidade de Jesus.

“Sem o Reino de Cristo, toda verdadeira fraternidade e toda autêntica proximidade com aqueles que sofrem desaparecem”, pode ler-se.

O texto liga esta celebração à do domingo anterior, o Dia Mundial dos Pobres, para sugerir que se promova, junto dos jovens, “o trabalho voluntário, o serviço gratuito e a autodoação”.

Podem ser organizadas missões nas quais os jovens são convidados a visitar as pessoas em suas casas, trazendo-lhes uma mensagem de esperança, uma palavra de conforto ou simplesmente oferecendo-se para ouvir”.

O Vaticano assinala que a JMJ deve ser parte de um “caminho pastoral mais amplo”, que gere “impulso missionário” e uma “festa da fé”, desejando que a mesma conte com a presença do bispo local, num “grande sinal de amor e de proximidade” aos jovens.

As orientações destacam a reflexão da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos de 2018, sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, sobre a JMJ, apresentada como experiência de Igreja” e uma “experiência de peregrinação”.

O Vaticano deseja que a celebração diocesana com os jovens seja uma “ocasião de discernimento vocacional” e um “chamamento à santidade”, propondo escolhas de vida “exigentes”.

“Não há necessidade de temer propor aos jovens a escolha inevitável daquele estado de vida que está de acordo com o chamamento que Deus dirige a cada um deles individualmente, seja o sacerdócio ou a vida consagrada, também na forma monástica, ou o matrimónio e a família”, indica o documento.

Considerando que a JMJ é também uma “experiência de fraternidade universal”, o Vaticano sublinha que esta deve ser “uma ocasião de encontro para os jovens, não só para os jovens católicos”.

“Que os jovens que vivem em uma determinada área se reúnam e dialoguem uns com os outros, para além de suas crenças, de sua visão de vida, de suas convicções”, sugerem as novas orientações.

É importante que os agentes da pastoral juvenil estejam cada vez mais atentos ao envolvimento dos jovens em todas as etapas do planeamento pastoral da JMJ, segundo um estilo sinodal-missionário, valorizando a criatividade, a linguagem e os métodos próprios de sua idade”.

O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida sustenta que as várias comunidades católicas devem dedicar “atenção especial à celebração da Jornada Diocesana da Juventude”, para que ela possa ser “devidamente valorizada”.

“Investir nos jovens significa investir no futuro da Igreja, significa promover as vocações, significa iniciar efetivamente a preparação remota das famílias de amanhã. É, portanto, uma tarefa vital para cada Igreja local, não simplesmente uma atividade acrescentada a outras”, indica o organismo da Santa Sé.

OC

Além do Dia Mundial da Juventude, celebrado a nível diocesano, a Igreja promove edições internacionais destas jornadas, as JMJ, cuja próxima etapa é Lisboa, no verão de 2023.

A primeira edição da iniciativa criada por São João Paulo II aconteceu em 1986, em Roma, e desde então a Jornada Mundial da Juventude já passou pelas seguintes cidades: Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

O padre Alexandre Awi Mello, secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, destacou na conferência de imprensa desta terça-feira que a valorização da JMJ, a nível diocesano, não significa um desinvestimento na celebração internacional.

“Estamos a preparar-nos para Lisboa, com toda a força”, assumiu.

 

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