Itália: Papa visita Nápoles, cidade «ensanguentada pela violência»

Leão XIV exige ação da Igreja para responder a «inúmeras fragilidades sociais e muitas faces da pobreza»

Foto: Vatican Media

Nápoles, Itália, 08 mai 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV alertou hoje para o impacto da criminalidade e da pobreza no sul de Itália, apelando a um compromisso firme da Igreja numa cidade fustigada por derramamento de sangue.

“Nápoles é uma cidade de mil cores, onde a cultura e as tradições do passado se misturam com a modernidade e a inovação; é uma cidade onde uma religiosidade popular espontânea e efervescente se entrelaça com inúmeras fragilidades sociais e as muitas faces da pobreza; é uma cidade antiga, mas em constante movimento, habitada por muita beleza e, ao mesmo tempo, marcada por muito sofrimento e até ensanguentada pela violência”, disse, perante o clero e os religiosos reunidos na Catedral napolitana.

No primeiro encontro da sua deslocação à cidade italiana, o pontífice identificou o abandono social e institucional como o grande inimigo a combater nos subúrbios da região.

“O oposto do cuidado é a negligência. Vêm-me imediatamente à mente alguns exemplos: a negligência das ruas e esquinas da cidade, das áreas comuns, dos subúrbios e, ainda mais, todas aquelas situações em que a própria vida é negligenciada, quando lutamos para preservar a sua beleza e dignidade”, advertiu.

Leão XIV reconheceu a pressão que recai sobre os sacerdotes e instituições católicas que lidam diariamente com as vítimas do desespero, da exclusão e das dinâmicas criminais.

Penso nas famílias cansadas e nos jovens, muitas vezes desorientados, que vos propusestes acompanhar, e em todas as necessidades — humanas, materiais e espirituais — que os pobres vos confiam ao baterem às portas das vossas paróquias e associações.”

A urgência de oferecer horizontes de esperança exige, segundo o pontífice, uma resposta que vá além do sentimentalismo.

“Neste contexto, a ação pastoral é chamada a uma contínua encarnação da mensagem do Evangelho, para que a fé cristã, professada e celebrada, não se limite a alguns acontecimentos emocionais, mas penetre profundamente no tecido da vida e da sociedade”, recomendou.

Leão XIV admitiu o desgaste associado a esta missão de primeira linha, alertando para os riscos psicológicos do isolamento dos agentes pastorais.

“O fardo humano e pastoral é certamente pesado, corre o risco de nos sobrecarregar, desgastar e esgotar as nossas energias, e, por vezes, pode ser ainda mais agravado por uma certa solidão e sensação de isolamento pastoral”, observou.

A intervenção destacou a importância de promover o “método do Sínodo”, gerando “um envolvimento que não excluiu ninguém, uma sinergia humana, pastoral e espiritual”.

Numa cidade marcada pela desigualdade, pelo desemprego jovem, pelo abandono escolar e pela fragilidade familiar, o anúncio do Evangelho não pode existir sem uma presença concreta e solidária, que envolva cada um de nós: sacerdotes, religiosos e leigos.”

O Papa elogiou Nápoles como uma cidade “rica em arte e cultura, situada no coração do Mediterrâneo e habitada por um povo único e alegre, apesar do peso de tantas dificuldades”.

“Hoje estou aqui também para ser tocado por esta alegria. Obrigado pela vossa receção”, declarou, provocando um aplauso dos presentes.

Antes da oração, o Papa deslocou-se à entrada da Sé para saudar a multidão, agradecendo pelo acolhimento, com um “calor que só Nápoles sabe oferecer”.

“Sinto-me muito feliz por estar aqui, esta tarde, numa visita muito breve, mas muito significativa”, acrescentou, destacando a devoção a São Januário, cujo relicário beijou.

Leão XIV chegou a Nápoles ao início da tarde, vindo do Santuário de Pompeia, na região italiana da Campânia, onde presidiu à Missa, deixando apelos contra a violência.

O Papa assinala hoje o primeiro aniversário da sua eleição pontifícia.

OC

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