Francisco critica comerciantes de armas que alimentam a guerra e fenómenos como o «Estado Islâmico»

Mossul

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 08 mar 2021 (Ecclesia) – O Papa confessou hoje que ficou “sem palavras” diante da destruição que encontrou em Mossul, no norte do Iraque, criticando os comerciantes de armas que alimentam a guerra e fenómenos como o autoproclamado ‘Estado Islâmico’.

“Quando parei diante da igreja [siro-ortodoxa] destruída, fiquei sem palavras. Inacreditável, inacreditável. Não só a igreja, mas também as outras igrejas, inclusive uma mesquita destruída, via-se que não estariam de acordo com esta gente [Daesh]”, referiu aos jornalistas, no voo de regresso desde Bagdade, após a primeira viagem de um Papa ao Iraque.

Francisco esteve este domingo no norte do país do Médio Oriente para prestar homenagem às vítimas da guerra e do terrorismo, passando pelo antigo bastião do Estado Islâmico.

“É impossível acreditar na crueldade da nossa humanidade”, assinalou.

Francisco lamentou que esta situação do terrorismo se esteja a repetir em África, replicando experiências de “inimizade, guerra”, dando nova vida aos fundamentalistas.

“Isto é uma coisa feia, muito feia”, lamentou.

O Papa questionou quem vende armas a estes “destruidores”, que não as conseguem fabricar.

“Quem vende as armas? Quem é o responsável? Eu pediria, pelo menos, que os que vendem as armas tenham a sinceridade de dizer: somos nós. Mas não o dizem, é feio”, apontou.

Francisco mostrou-se emocionado com o testemunho de uma mãe, em Qaraqosh, que perdeu o filho num bombardeamento do Daesh e falou da necessidade de “perdão”.

“Perdoar os inimigos, isto é o Evangelho puro. Foi o que mais me tocou em Qaraqosh”, declarou.

A intervenção abordou ainda o encontro com Abdullah Kurdi, pai do pequeno Ali, que foi encontrado sem vida, em 2015, numa praia da Turquia, após um naufrágio no Mediterrâneo.

O Papa disse que a criança é um “símbolo” de todos os menores que morrem nas migrações, das pessoas que não sobrevivem às travessias no mar, “um símbolo da humanidade”.

“São precisas medidas urgentes para que as pessoas tenham emprego no seu país e não precisem de emigrar”, apontou.

Francisco acrescentou que o direito a migrar é mais do que “chegar a uma praia”, e implica “ser acolhido, acompanhado, integrado”.

O Papa agradeceu, neste sentido, a “generosidade” do povo libanês no acolhimento de refugiados e migrantes, revelando que fez a “promessa” de visitar o Líbano, um país “em crise de vida”.

Alertando para o “inverno demográfico” na Europa, o pontífice sublinhou que as migrações não se podem ver como uma “invasão”.

OC

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