Amnistia Internacional promoveu vigília no Porto pela libertação de sacerdote jesuíta

Foto: Lusa

Porto, 07 mai 2021 (Ecclesia) – A Companhia de Jesus em Portugal uniu-se esta quinta-feira à Amnistia Internacional numa vigília que decorreu no Porto, para denunciar a violação dos Direitos Humanos nesse país e apelar à libertação de Stan Swamy, sacerdote jesuíta preso por defender a minoria Adivasi.

“Infelizmente, na Índia os atropelos aos Direitos Humanos são uma questão excessivamente frequente e que tem de ser referida, tem de ser falada”, disse hoje o padre José Maria Brito à Agência ECCLESIA.

O diretor de comunicação dos Jesuítas em Portugal, que participou na vigília desta quinta-feira, no Porto, convida à sensibilização da opinião pública para esta questão.

“Muitas vezes a imagem que temos na Índia, muito associada a valores, até mesmo do ponto de vista espiritual de uma experiência diferente da nossa, fazem-nos esquecer tudo o resto. Depois aquele slogan da Índia como a maior democracia do mundo também nos faz esquecer que essa democracia está com uma qualidade muito diminuída”, desenvolveu.

Neste contexto, exemplificou que um relatório internacional, do ‘Varieties of Democracy Institute’, classificou a Índia como uma “autocracia eleitoral, uma expressão muito forte e clara do que se passa”.

“Há muito trabalho a fazer para que as pessoas percebam que a questão dos direitos humanos na Índia é muito séria e que isso tem agravado de forma progressiva nos últimos anos, com o atual governo e com uma série de leis que vão sendo aprovadas”, realçou, observando que o caso do padre Stan Swamy tem “contribuído para uma maior consciencialização”.

O diretor de comunicação dos Jesuítas em Portugal salienta que no caso da prisão deste sacerdote, a preocupação da Companhia de Jesus é alertar que a detenção “não é um caso isolado” e estão presas mais “15 pessoas” ligadas a esta situação.

O sacerdote Jesuíta indiano foi preso a 8 de outubro de 2020, permanecendo sob a custódia da autoridade antiterrorista da Índia, a National Investigation Agency (NIA), por defender os direitos dos povos indígenas e alegadas ligações maoístas.

O padre Swamy tinha apresentado em tribunal uma ação pública contra o Estado de Jharkhand, em nome de 3000 indígenas presos, e foi o último de 16 ativistas a ser detido

“Esta prisão que veio claramente do facto de ele ser um defensor dos Adivasi, que é um grupo minoritário na Índia que está fora da lógica das castas, e o seu compromisso com a injustiça que este povo era alvo devido à expropriação de terras, a uma série de questões”, acrescentou o padre José Maria Brito.

O entrevistado sublinha o facto de o padre Stan Swamy, de 84 anos, “ainda não ter sido vacinado”, acrescentando que “houve sempre dificuldade em garantir condições mínimas”, sendo que nas primeiras semanas na prisão dormiu no chão.

A vigília em defesa dos direitos humanos na Índia, junto ao Palácio de Cristal, no Porto, realizou-se antes da cimeira União Europeia/Índia deste sábado, na qual o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, vai participar remotamente.

“Daquilo que tem sido a ação dos Jesuítas a nível internacional, temos consciência que, por parte das autoridades, dos governos, o Parlamento Europeu, há consciência e que estes temas em alguns fóruns são abordados. Não se pode deixar de também ir consciencializando a opinião pública porque isso é importante”, desenvolveu o padre José Maria Brito.

A vigília, promovida pela Amnistia Internacional, foi uma manifestação silenciosa e, por causa da pandemia, a presença de pessoas fez-se através de uma petição, que tinha 1000 subscrições, até às 21h00 desta quinta-feira, e estavam representadas por velas.

CB/OC

No contexto da Cimeira Social da União Europeia, a decorrer no Porto, o padre José Maria Brito sublinhou que a Europa está num momento “socialmente muito delicado”, por todas as consequências da pandemia, e destaca a necessidade de “uma capacidade do trabalho que se faça de atenção a estas feridas”, e em conjunto.

“Que a lógica seja de verdadeira colaboração e subsidiariedade e, por isso, o governo cumpra o seu papel, saiba envolver as entidades do setor, as entidades sociais, que saiba envolver todos os atores públicos, privados, mas tenhamos consciência que é um trabalho a fazer juntos e com respeito pelo que pode ser o trabalho de cada um”, desenvolveu.

O diretor de comunicação da Companhia de Jesus em Portugal acrescenta que “todos os apoios” que vão sendo dados se tenha a consciência que “a resolução aos problemas tem de ser a partir das comunidades” e é preciso “valorizar o trabalho daqueles que estão próximos das pessoas”.

“É um trabalho para fazermos juntos e aqui não há lugar a concorrências, há lugar a cooperação, e colaboração”, concluiu.

 

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