Quando se aproxima o Dia Internacional da Mulher (08 de março) convém recordar a presença feminina no II Concílio do Vaticano (1962-65). Nesta assembleia magna, convocada por João XXIII e continuada pelo seu sucessor, estiveram presentes vinte e três mulheres como auditoras. A 08 de setembro de 1964, o Papa Paulo VI anunciou, oficialmente, a novidade e no dia 25 do mesmo mês, entrou na Aula conciliar a primeira mulher, a francesa Marie-Louise Monnet .

Quando se aproxima o Dia Internacional da Mulher (08 de março) convém recordar a presença feminina no II Concílio do Vaticano (1962-65). Nesta assembleia magna, convocada por João XXIII e continuada pelo seu sucessor, estiveram presentes vinte e três mulheres como auditoras. A 08 de setembro de 1964, o Papa Paulo VI anunciou, oficialmente, a novidade e no dia 25 do mesmo mês, entrou na Aula conciliar a primeira mulher, a francesa Marie-Louise Monnet (Fundadora do Movimento Internacional de Apostolado dos Meios Sociais Independentes).

De setembro de 1964 a agosto de 1965 foram chamadas “uma por uma: dez religiosas e treze leigas, escolhidas segundo critérios de competência e de internacionalidade” (In: Adriana Valerio; «As 23 mulheres do Concílio – A presença feminina no Vaticano II»; Lisboa; Paulinas Editora). Na previsão de alguns padres conciliares, a participação destas auditoras devia revestir-se sobretudo de caráter simbólico, mas essa presença “ultrapassou essa barreira, deixando sinais importantes nos próprios documentos conciliares”, sublinha Adriana Valerio na obra citada.

Esta possibilidade aberta às mulheres “não foi aprovada nem apoiada por todos”, mas também houve quem concordasse e simpatizasse com ela. Um mês depois do anúncio do Papa Paulo VI, o bispo Albino Luciani (futuro Papa João Paulo I) exprimiu no jornal «Avvenire o seu agrado relativamente à presença das auditoras no Concílio. Contrastando com o “desapontamento expresso por muitos clérigos”, evidenciava a importância da iniciativa do Papa e previa que a presença das mulheres “não se reduzirá a puro símbolo, [porque] fora das assembleias, as comissões conciliares pedir-lhes-ão pareceres e elas poderão transmitir os seus pontos de vista, sugestões e observações”, escreveu Adriana Valerio.

Durante as sessões conciliares, os auditores e as auditoras ocuparam a tribuna de Santo André, na Basílica de São Pedro, do lado direito da longa mesa da presidência, de frente para o altar-mor. Na parte oposta, estavam os observadores protestantes. Naturalmente, a presença das mulheres no II Concílio do Vaticano provocou “diversos comentários jocosos”. Se os prelados eram os «padres conciliares», as auditoras eram as «madres conciliares».

Apesar das dificuldades iniciais, o concílio representou para a mulher a afirmação da igualdade fundamental com o homem. Esta assembleia magna não desatou todos os nós, mas abriu perspetivas novas e horizontes a desbravar.

LFS

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