Após o encerramento do II Concílio do Vaticano (1962-65), alguns bispos de Angola falaram sobre o impacto dos trabalhos conciliares nas dioceses daquela província ultramarina. D. Daniel Gomes Junqueira (Bispo de Nova Lisboa – Angola) realçou que o clero e o laicado daquela diocese acompanharam “com suficiente profundidade” as discussões que brotaram daquela assembleia magna convocada pelo Papa João XXIII e seguida pelo seu sucessor, Paulo VI.

Após o encerramento do II Concílio do Vaticano (1962-65), alguns bispos de Angola falaram sobre o impacto dos trabalhos conciliares nas dioceses daquela província ultramarina. D. Daniel Gomes Junqueira (Bispo de Nova Lisboa – Angola) realçou que o clero e o laicado daquela diocese acompanharam “com suficiente profundidade” as discussões que brotaram daquela assembleia magna convocada pelo Papa João XXIII e seguida pelo seu sucessor, Paulo VI.

Aquele bispo, que na altura tinha 71 anos, referiu que dos “166 sacerdotes, quer do clero secular quer do clero regular”, que trabalham na Diocese de Nova Lisboa, recebeu “provas de que todos se interessaram pelo concílio”. “Os 5150 catequistas, representando os leigos da diocese, reuniram todos os dias os fiéis e catecúmenos das suas aldeias na capela-escola para rezarem em comum pelo bom êxito do concílio”, confessou o prelado dos missionários espiritanos ao Boletim de Informação Pastoral (BIP) de Janeiro-Março de 1966.

Apesar da Diocese de Nova Lisboa ser a mais pequena em área das dioceses de Angola, era uma das “mais populosas e cristãs” com cerca de 700 mil católicos. Esta atenção aos trabalhos realizados no Vaticano levou D. Domingos Junqueira a referir: “Prova evidente da compreensão das vantagens que esperam do concílio”.

Por sua vez, D. Altino Ribeiro de Santana, bispo de Sá da Bandeira (Angola), sublinhou que muita informação relativa aos trabalhos conciliares chegava aos padres da sua diocese através dos jornais e revistas. Como eram provenientes de vários locais, os conterrâneos enviam-lhes “periódicos e revistas que ao concílio dedicaram páginas de relevo”. Mesmo os padres das missões do interior “tiveram possibilidades de estarem ao corrente dos debates e realizações conciliares e as souberam aproveitar”, disse o prelado que na altura tinha 50 anos e era natural de Goa.

Em relação aos leigos, o bispo de Sá da Bandeira realça que o laicado não encontrava na imprensa local “elementos para um esclarecimento criterioso e sistemático” e isto “não obstante o meritório esforço de «O Apostolado» durante os últimos períodos do concílio”.

A diocese do Luso (Angola) tinha como pastor D. Francisco Esteves Dias, da Ordem de São Bento, e era muito recente “dois anos e meio de existência” quando encerrou o II Concílio do vaticano. “O laicado mais responsável da diocese pôde acompanhar os trabalhos conciliares, mas estou convencido de que o não fez com suficiente profundidade”. E conclui: “Será tarefa pós-concílio o serviço de partir o pão em pequeninos”.

LFS

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